O diretor do Serviço de Infeciologia do Hospital de Curry Cabral, em Lisboa, afirmou esta terça-feira que o acordo para o fornecimento de um medicamento inovador contra a hepatite C levou mais doentes a procurarem precocemente o tratamento.

Fernando Maltez falava durante uma visita que o ministro da Saúde realizou esta terça-feir, Dia Mundial das Hepatites, a dois serviços no Hospital Curry Cabral, uma referência na área da infeciologia e onde são seguidos centenas de doentes com a hepatite C.

Este especialista reconheceu que a notícia sobre o fornecimento gratuito deste fármaco – que resultou de um acordo alcançado entre o Ministério da Saúde e um laboratório – aumentou a procura deste medicamento.

“Muitos doentes, por razões de vária ordem, ou com receio do estigma, não procuravam os serviços e agora fazem-no com mais frequência”, disse.


Para Fernando Martez, em resultado desta mudança, são cada vez mais os doentes que são tratados numa fase mais precoce da doença, o que potencia a sua cura.

Desde o acordo entre governo e laboratório, em fevereiro deste ano, cerca de 200 doentes já receberam o Sofosbuvir e mais 100 aguardam pelo fármaco.

Fernando Maltez adiantou que entre o pedido e a administração do fármaco têm decorrido, em média, três a quatro semanas, o que é um tempo “perfeitamente aceitável”.

Paulo Macedo visitou o serviço de infeciologia do Curry Cabral, que pertence ao Centro Hospitalar de Lisboa Central, tendo sido informado pelos profissionais que 12 dos 14 quartos estão atualmente preenchidos com doentes, nomeadamente pessoas com tuberculose.

O ministro procurou saber sobre a incidência da doença, com Fernando Maltez a afirmar que a tuberculose tem diminuído, mas que Lisboa continua a ter níveis mais elevados do que as restantes cidades.

A tuberculose multirresistente continua a procurar os profissionais de saúde.

A visita de Paulo Macedo prosseguiu depois para a unidade dos transplantes, onde o diretor do Centro Hepatobiliopancreático e de Transplantação deste hospital, Eduardo Barroso, revelou que este ano já foram realizados 78 transplantes hepáticos.

Destes transplantes, prosseguiu o cirurgião, 46 por cento tinham hepatite C.

Eduardo Barroso congratulou-se com o fornecimento do medicamento e especificou que os doentes com hepatite C que são transplantados recebem também o fármaco inovador, o que visa impedir que o novo fígado seja infetado pelo vírus que está no organismo do doente.

O cirurgião afirmou depois esperar que a administração do fármaco reduza o número de doentes transplantados por esta razão.

Sobre os resultados da administração do Sofosbuvir na cura dos doentes, Fernando Maltez disse que “ainda é muito cedo”, mas revelou que os dados disponíveis são “animadores”.

Um documento hoje divulgado num encontro de especialistas que decorreu no Curry Cabral, em que Paulo Macedo participou após a visita aos dois serviços, revela que existem 13.015 doentes com autorização de tratamento prevista até dezembro de 2016.

Deverão ser evitadas 5.170 mortes prematuras por razões hepáticas e ganhos 89.242 anos de vida, prossegue o documento, distribuído pelo organismo que regula o setor do medicamento em Portugal (Infarmed).

A nova estratégia de tratamento da hepatite C deverá ainda evitar 482 transplantes hepáticos, 2.920 carcinomas hepatocelulares e 8.499 casos de cirrose.

A poupança em custos de tratamento das consequências da evolução da hepatite C será de 412,6 milhões de euros.

Até 30 de junho deste ano, 5.013 doentes tinham autorização de tratamento, o que terá evitado 2.184 mortes prematuras por razões hepáticas, refere o documento elaborado pela empresa Exigo Consultores.

Em Portugal, as autoridades admitem a existência de 100 mil pessoas infetadas com o vírus da hepatite C.