Dois medicamentos inovadores contra a hepatite C vão estar no mercado ainda este mês, mais de dois anos após a sua aprovação na Europa e em vésperas de uma nova geração de fármacos receber luz verde pela agência europeia.

Em causa estão os antivíricos Boceprevir e Telaprevir, de dois laboratórios com que o Ministério da Saúde se tem reunido para negociar preços, tendo chegado agora a um acordo que reduziu os 30 milhões de euros de despesa prevista para 12 milhões de euros, segundo o organismo que regula o setor (Infarmed).

A disponibilização destes fármacos - com os quais cerca de 150 doentes foram tratados mediante uma autorização de utilização especial - irá melhorar a vida dos doentes, encurtando o tempo do tratamento, conforme reconheceu o coordenador da hepatologia da Ordem dos Médicos, Rui Tato Marinho.

Em declarações à Lusa, o especialista em fígado disse que este acordo quanto ao valor da comparticipação do Estado, que permitirá que os fármacos vão para o mercado ainda este mês, é «uma excelente notícia».

No entanto, Rui Tato Marinho lamenta o «inadmissível» tempo de demora entre a aprovação pela agência europeia e o acordo agora alcançado.

Esta demora levou a que estes medicamentos inovadores, que ainda assim vão melhorar a qualidade de vida dos doentes e encurtar o tempo do tratamento, «deixem de fazer sentido dentro de pouco tempo«, uma vez que «há uma nova geração de medicamentos muito mais eficazes e com poucos efeitos secundários que estão prestes a obter autorização no mercado europeu», disse.

Essa nova geração de fármacos - um dos quais deverá receber aprovação da Agência Europeia do Medicamento (EMA) na próxima segunda-feira - obtém taxas de cura superiores a 90 por cento, disse Rui Tato Marinho.

Reconhecendo que a inovação destes medicamentos vem sempre acompanhada de custos elevados, o especialista defendeu que o governo encete desde logo negociações com os laboratórios, para que a situação não se repita.

O secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde confirmou que está garantida a negociação com um medicamento inovador para o tratamento da Hepatite C e que para a semana vai ser concluída uma segunda negociação.

«O que já está concluído é a negociação com um laboratório relativamente a um medicamento e vamos para a semana concluir a segunda negociação tentando encontrar o preço que seja o mais justo possível e aquele que é adequado à capacidade de pagamento do Estado português», declarou Leal da Costa.

«É a prova concreta de que estamos a introduzir novos medicamentos inovadores» e «não o vamos deixar de fazer», assegurou Leal da Costa, vincando, no entanto, que há a necessidade de estabelecer «um acordo entre o Ministério da Saúde, que assegura o pagamento por inteiro destes pagamentos, e, por outro lado, por parte dos fabricantes (...) têm de ter um preço adequado às necessidades e capacidades do país».

No caso da Hepatite C, saberemos fazer a «avaliação cuidada¿ de onde estão os doentes de maneira a que o medicamento de que eles precisam, quanto precisarem e com a necessidade estabelecida, esteja disponível para esses doentes», explicou, sublinhando que estão «preocupados com os doentes» e com o «acesso aos medicamentos».

«Não estamos tanto preocupados que os hospitais tenham de ter necessariamente a capacidade de prescrever, senão houver doentes que beneficiem dessa prescrição», referiu.