O ministro da Saúde disse, nesta sexta-feira, que a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) está a acompanhar o inquérito interno à morte de um bebé na Guarda, por alegada falta de assistência.

Adalberto Campos Fernandes falava hoje aos jornalistas, no final da comissão parlamentar de Saúde, em Lisboa.

O Conselho de Administração (CA) da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda anunciou hoje que foi aberto um processo de averiguações para apuramento de responsabilidades na morte de um bebé por alegada falta de assistência.

Após ter conhecimento desta situação, o CA comunicou à tutela e aguarda-se que vá iniciar-se amanhã [sábado] mesmo um inquérito com três especialistas de obstetrícia e uma jurista externos, da parte da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, exatamente para haver uma isenção em todo este processo", afirmou hoje aos jornalistas o presidente do CA da ULS da Guarda, Carlos Rodrigues.

O responsável explicou que a investigação a realizar será "para apuramento dos factos e de eventuais responsabilidades e de todo o conhecimento desta situação, que precisa de ser observada por alguém externo da instituição".

Uma grávida no final da gestação terá perdido o bebé por falta de assistência, na Guarda. A família contou ao Jornal de Notícias que a mulher esteve uma hora e meia à espera para ser vista por um médico obstetra, apesar das perdas de sangue, na Unidade de Saúde Local (ULS) da Guarda. O hospital fez saber que há um processo de averiguações a decorrer.

O caso aconteceu esta quinta-feira na ULS da Guarda. De acordo com a família, Cláudia Costa, grávida de 37 semanas, deslocou-se ao serviço de obstetrícia depois de ter começado a ter perdas de sangue.

A equipa de enfermagem terá percebido que o bebé estava para nascer e terá chamado o médico que estava no hospital. Mas o obstetra, um médico reformado de Santarém, não terá comparecido e, segundo o JN, quando respondeu à emergência já não havia nada a fazer.

A família de Cláudia Costa diz que a bebé morreu por falta de assistência.

O CA da ULS da Guarda confirma que deu entrada, ontem [quinta-feira], às 09:30, uma senhora de 39 anos, na urgência de obstetrícia, e que manifestava perdas de sangue pouco significativas tendo de imediato sido registada às 09:34. Feita a ecografia fetal confirmou a morte do feto. A mãe foi encaminhada para o bloco operatório e submetida a uma cesariana", explicou hoje Carlos Rodrigues.

O presidente do CA da ULS/Guarda disse que estavam ao serviço dois obstetras e que o alegado atraso de um dos especialistas de serviço "é uma matéria" que fica "para ser analisada pelos inquiridores que foram nomeados".

Na sua opinião, "é prematuro dizer o que quer que seja" sobre o assunto, alegando que vai ser objeto de investigação.

"Esse atraso [do obstetra], ou não, é algo que vai ser objeto da investigação dos inquiridores", assumiu.

Cláudia Costa, de 39 anos, tinha o parto, por cesariana, agendado para o próximo dia 27.

Esta professora de português teve dificuldades em engravidar e só o conseguiu depois de sucessivos tratamentos. Foi seguida na Covilhã, onde reside, mas preferiu ter o bebé na Guarda porque a mãe e o marido são funcionários nesta unidade de saúde. Uma unidade de saúde que foi, de resto, distinguida em 2015 como um hospital "amigo dos bebés".