Em Portugal desde 2002, o grupo motard Hells Angels foi fundado nos Estados Unidos na década de 40. Com um historial ligado ao crime, o maior clube de motards do mundo tem em Portugal cinco sedes: em Lisboa, Cascais, Margem Sul, Porto e Algarve.

O Hells Angels Motorcycle Club (HAMC) tem 70 anos e está espalhado por todo o mundo. Tem hoje mais de 100 sedes nos cinco continentes, mas foi na Califórnia, nos EUA, que o polémico grupo de motards nasceu como prestador de serviços de segurança.

Começaram em 1948, como equipa de segurança em concertos de bandas famosas, mas duas décadas depois passaram a ser conhecidos por razões controversas: durante um concerto dos Rolling Stones, um dos motards terá sido responsável pelo assassinato de um negro.

Desde então, o grupo é associado a atividades ilegais, crimes de homicídio e envolvimento em rixas um pouco por todo o mundo. Por essa razão, em 2011, o Departamento de Segurança norte-americano pôs os Hells Angels na lista de organizações criminosas.

Os conflitos criados pelo grupo foram crescendo, colocando os Hells Angels na mira das autoridades europeias. Várias situações têm sido noticiadas pela imprensa nos últimos anos por ser um grupo considerado uma ameaça.

A Europol destaca organizações como os Hells Angels e os Los Bandidos, rivais há vários anos, como muito perigosas e de grande prioridade na União Europeia. Membros do grupo têm sido associados a vários crimes de homicídio, tráfico, raptos, posse ilegal de armas e falsificação de documentos, extorsão e lavagem de dinheiro.

Em Portugal, acredita-se que haja cerca de 400 elementos do grupo.

Esta quarta-feira, cerca de 400 inspetores da Polícia Judiciária efetuaram buscas de Norte a Sul do país para deter elementos do grupo "suspeitos de integrarem esta estrutura criminosa, constituída por indivíduos extremamente perigosos, com vastos antecedentes criminais e larga experiência na área da criminalidade violenta e organizada", diz o comunicado da PJ.

Histórico de crime em Portugal

O mais recente polémico caso em Portugal ligado aos Hells Angels é de março deste ano, quando um grupo armado com marretas, facas e barras de ferro bloqueou a Rua de Moçambique, no Prior Velho, e invadiu um restaurante onde agrediu clientes e os funcionários. Eram entre 30 a 40 motards à procura de elementos dos rivais Los Bandidos.

Neste ataque, seis pessoas ficaram feridas, duas com gravidade, numa invasão que tinha como alvo Mário Machado, antigo líder do grupo neonazi Hammerskins e alegado membro do grupo rival.

Em 2014, em Lisboa, o grupo armado com facas, ferros e paus, tentou invadir a discoteca Dock’s Club, em Santos, por vingança. As autoridades identificaram na altura uma dezena de pessoas.

Um ano antes, durante a famosa concentração de motards de Faro, os Hells Angels atacaram elementos das forças de segurança que participavam no encontro que é um dos maiores da Europa. 12 membros da organização foram constituídos arguidos.

Os crimes não são apenas contra elementos das forças de segurança ou membros de grupos motards rivais. Também os ex-elementos do próprio grupo estiveram envolvidos em conflitos.

Em 2010, seis pessoas foram condenadas a cinco anos de prisão com pensa suspensa pelo Tribunal de Sintra por vários crimes contra um ex-elemento do grupo – num caso que remonta a 2005 – e também por roubo, sequestro e ofensa à integridade física.

Um ano antes, foi extraditado um alemão, membro do grupo, que era alvo de mandado de captura internacional. Foi detido no Algarve onde estava escondido.

Forte presença na Europa

Entre 1994 e 1997, naquela que foi considerada a “Grande Guerra Nórdica dos Motards”, a Dinamarca, Suécia e Finlândia assistiram à morte de pelo menos 12 membros de grupos de motards fora da lei perpetuadas pelos motoqueiros em diversos conflitos que deixaram dezenas de feridos.

O carácter perigoso da organização levou, por exemplo, à detenção em 2013 de 25 membros dos Hells Angels em Espanha, suspeitos de vários crimes na Europa.

Na Alemanha, os motards também estão proibidos de entrar em vários estados, depois de a polícia ter fechado aquele que era o maior bordel do país, em Berlim, propriedade do grupo, por estar associado a crimes de tráfico de pessoas e fuga ao fisco.