A Câmara de Lisboa está a estudar locais alternativos para pôr o lixo recolhido na cidade, depois de constatar que não estão a ser cumpridos na Valorsul os serviços mínimos para fazer os depósitos, disse esta terça-feira fonte da autarquia.

Segundo a mesma fonte, 30 camiões carregados com o lixo recolhido na capital dirigiram-se esta noite às instalações da Valorsul em S. João da Talha, Loures, mas voltaram para trás por considerarem que a empresa não tinha condições para receber os resíduos, devido à greve que decorre esta semana.

«A câmara está a estudar alternativas», referiu a fonte à agência Lusa.

Os lisboetas produzem em média uma tonelada de lixo por dia.

Os trabalhadores da Valorsul cumprem hoje o segundo de quatro dias de greve, que começou às 00:00 de segunda-feira e termina na quinta-feira.

Por sua vez, a Valorsul reiterou ao final da tarde que, apesar da greve, a empresa está a cumprir os serviços mínimos e afirmou que não foi feita qualquer tentativa de deposição de resíduos por parte dos serviços municipais de Lisboa.

Confrontado com as queixas da Câmara de Lisboa, o presidente da comissão executiva da Valorsul, João Figueiredo, negou que tenha existido qualquer tentativa dos camiões de depositar o lixo.

«Havia uma aglomeração de pessoas à porta, um piquete, mas não houve sequer uma tentativa de descarga. As viaturas deram a volta à rotunda e voltaram para trás. Não tentaram sequer chegar juntos das básculas», referiu.

João Figueiredo assegurou que os camiões nunca foram impedidos por alguém de entrar no interior das instalações e, por isso, «se não o fizeram foi porque não quiseram».

«Imediatamente convoquei a comissão sindical e me reuni com eles para saber o que se tinha passado e aquilo que me disseram é que não impediram ninguém de vir descarregar», sublinhou.

Nesse sentido, o responsável da Valorsul reiterou que a empresa está a cumprir os serviços mínimos e que existem condições para os 19 municípios depositarem ali o seu lixo.

«O tribunal arbitral decretou serviços mínimos, o sindicato nomeou trabalhadores para o cumprimento desses serviços mínimos e por isso os trabalhadores estão cá prontos para cumprir esses serviços mínimos», argumentou.

Na origem da paralisação está a privatização de 100% da participação do Estado na Empresa Geral de Fomento, uma «sub-holding» do grupo Águas de Portugal para o setor dos resíduos, aprovada no final de janeiro pelo Conselho de Ministros.

A EGF é responsável pela recolha, transporte, tratamento e valorização de resíduos, através de 11 empresas concessionárias, da qual faz parte a Valorsul, situada no concelho de Loures e que atua em 19 municípios da Área Metropolitana de Lisboa e da zona Oeste.

A empresa serve os municípios de Alenquer, Alcobaça, Amadora, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lisboa, Loures, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Odivelas, Peniche, Rio Maior, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras e Vila Franca de Xira.