A TAP apelou aos passageiros para chegarem com maior antecedência aos aeroportos portugueses, recomendando que, nos casos dos que têm voos a partir de Lisboa, cheguem quatro horas antes do embarque, devido à greve dos trabalhadores de segurança.

Em causa está a greve, neste sábado, ao trabalho extraordinário dos trabalhadores da Prosegur e da Securitas, que asseguram o raio-x da bagagem de mão e o controlo dos passageiros e também dos trabalhadores dos aeroportos.

Esta paralisação de 24 horas foi marcada após mais de nove meses de negociações entre o sindicato e a Associação das Empresas de Segurança (AES) para a celebração de um novo contrato coletivo de trabalho.

O dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) Fernando Henriques disse recentemente que "os trabalhadores destas duas empresas são responsáveis pela segurança de cerca de 40 milhões de passageiros que, por ano, passam pelos aeroportos portugueses".

ANA alerta para tempos de espera significativos

O tempo de espera para o controlo de segurança no aeroporto de Lisboa agravou-se durante esta manhã, podendo atingir duas horas, disse hoje à Lusa fonte da ANA - Aeroportos de Portugal.

Fonte oficial da empresa que gere os aeroportos do país disse que os voos estão a decorrer com normalidade em todos os aeroportos com exceção do de Lisboa.

Os voos estão agora a sair com atrasos superiores e as filas de espera no Terminal 1 poderão atingir duas horas e, no terminal 2, [demoram] menos tempo, mas agravaram-se também", disse a mesma fonte, apelando novamente aos passageiros que viajem hoje para que cheguem ao aeroporto com maior antecedência.

Nos painéis com as informações sobre as partidas agendadas para o dia de hoje, verifica-se que grande parte das ligações da manhã foi ou será realizada com atraso.

Adesão de 80% em Lisboa e mais de 50% no Porto

O dirigente sindical do STAD - Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpezas Domésticas e Atividades Diversas, Carlos Trindade, disse à agência Lusa, em frente às instalações do aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde estão concentradas algumas dezenas de trabalhadores, que esta greve ao trabalho extraordinário conta com uma adesão de 80% em Lisboa e acima de 50% no Porto e em Faro.

No mesmo sentido, o sindicalista do SITAVA - Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos, Armando Costa, confirmou uma adesão de 80% no aeroporto de Lisboa, de mais de 60% no Porto e de cerca de 50% em Faro.

No caso dos aeroportos do Funchal, Porto Santo e Ponta Delgada, o sindicalista disse não ter ainda informação disponível.

Carlos Trindade considera que se trata de "uma greve histórica", que está a fazer com que "os passageiros não consigam passar o controlo de raio-x e os pórticos", ficando por isso "as salas completamente cheias" no aeroporto de Lisboa.

Em causa está a exigência de melhores condições de trabalho. "Os trabalhadores exigem que sejam alteradas as suas escalas, que estão hoje organizadas de forma totalmente desumana", além de que "há trabalhadores que trabalham sete horas seguidas sem pausa para descansarem", reportou.

Mas os problemas que o sindicalista quer ver resolvidos não se prendem apenas com as horas de trabalho e com os períodos de descanso, mas também com as condições físicas em que os trabalhadores de segurança aeroportuária operam.

"Não há condições de saúde e segurança no trabalho, não há balneários onde os trabalhadores possam tomar um banho, não há cacifos distribuídos a cada trabalhador nos vestiários, que não têm condições para se fardarem e desfardarem, não há condições no refeitório que é uma pequena sala com uma mesa para 10 pessoas. No Terminal 2, o próprio refeitório não tem micro-ondas e os trabalhadores tem de pedir o favor a um restaurante defronte da sala de refeições para aquecerem a comida", disse ainda Carlos Trindade, do STAD.

Também Armando Costa, do SITAVA, disse à Lusa que estes trabalhadores "não têm carreiras" e "ganham sempre o mesmo desde o início nem que estejam [na empresa] 20 anos".

O dirigente sindical realçou ainda a impossibilidade por parte destes trabalhadores de conciliarem a vida pessoal e familiar: "A maior parte deles é gente jovem, que não tem possibilidades de constituir família nem de ter vida social e pessoal e são selecionados por isso".

Quanto aos serviços mínimos, um assunto em relação ao qual o SITAVA e as empresas de segurança Prosegur e Securitas não chegaram a acordo, Armando Costa recordou que "a lei tem de quantificar o número de trabalhadores" necessários para garantir os mínimos.

"No despacho que foi feito pelos quatro ministérios, isso não estava quantificado isso e por essa razão é que há este granel hoje. Se fossem feitos serviços mínimos com os voos, como nós sugerimos, se calhar não tínhamos o granel que temos hoje e o incómodo que ainda é para os passageiros", afirmou o sindicalista do SITAVA.