O secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública (SINTAP) admitiu uma adesão maior à greve dos trabalhadores do setor da saúde nesta sexta-feira, devido ao anúncio pelo Governo de que haverá congelamento de salários em 2017.

“Os números [da adesão] vão ser hoje ligeiramente superiores [aos de quinta-feira], justamente porque também hoje temos a greve [nacional] dos enfermeiros, o que implica uma maior mobilização de todos. Ainda mais porque o Ministério das Finanças veio anunciar a consolidação em princípio nos orçamentos dos serviços de que não haverá aumentos salariais, haverá congelamento para 2017”, adiantou João Abraão, em declarações à agência Lusa.

O sindicalista lembrou que há assistentes operacionais e técnicos de diagnóstico, por exemplo, que ganham 532 euros por mês, trabalham 40 horas e recebem por 35.

Agora vem a ameaça de que terão os salários congelados. Hoje estamos mais sensíveis para aderir à greve e lutar pelos nossos direitos, para não perder poder de compra”, sublinhou.

Os funcionários do setor da saúde iniciaram na quinta-feira uma greve de 48 horas, para exigir a reposição das 35 horas semanais a todos os trabalhadores e a celebração de um acordo coletivo de trabalho, assim como o pagamento de horas extraordinárias.

Apesar de ainda não ter dados concretos sobre o turno da noite, que começou às 00:00 e terminou às 08:00, o secretário-geral da SINTAP disse que a esmagadora maioria dos hospitais do Porto e de Lisboa “registaram níveis altos”.

Isto significa que se trata de uma grande greve e em concreto na área da saúde. O Governo vai ter de tirar ilações, reabrir o processo negocial e procurar contribuir para que mesmo cirurgicamente, através de correções salariais ou do salário mínimo, os funcionários da saúde não percam poder de compra”, disse.

O responsável disse ainda querer “acreditar que este Governo fará justiça e não haverá um congelamento generalizado de salários”.

“Vamos lutar para que as situações mais difíceis sejam verdadeiramente corrigidas”, concluiu.

A adesão à greve dos trabalhadores do setor da saúde rondou no primeiro dia os 80% a nível nacional, segundo a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais.

Os dados divulgados respeitam ao primeiro e segundo turnos de trabalho e, segundo a federação sindical, mostram que a paralisação "correspondeu aos anseios dos trabalhadores".

Segundo disse quinta-feira Ana Avoila, coordenadora da Federação, houve hospitais em que a adesão à greve foi de 100%, mantendo apenas os serviços mínimos.

Desde as 00:00 de quinta-feira, estão em greve assistentes operacionais, assistentes técnicos, técnicos de diagnóstico e terapêutica e técnicos superiores de saúde.

Na quinta-feira, a greve de enfermeiros decorreu no Algarve, Castelo Branco, Minho e Santarém, mas hoje será a nível nacional.

Greve dos enfermeiros no turno da noite foi de 78,5%

A adesão à greve nacional dos enfermeiros referente ao turno da noite, que começou às 00:00 de hoje, foi de 78,6%, segundo dados avançados pelo Sindicato Nacional do setor.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) indicou que a adesão à greve no turno da noite foi de 78,6%, enquanto na quinta-feira a paralisação, que decorreu apenas em Viana do Castelo, Braga, Castelo Branco, Santarém e Algarve, situou-se nos 75,6%.

“Na quinta-feira, a adesão média, nos três turnos (manhã, tarde e noite) foi de 75,6%”, é referido.

Dada a elevada adesão à greve, o SEP aconselha os “utentes a deslocarem-se aos serviços de Saúde, apenas, na estrita medida do inadiável (situações de urgência)”.

O SEP remeteu ainda para as 11:00 de hoje mais dados sobre a greve e anúncio de novas intervenções e formas de luta.

Os funcionários do setor da saúde e os enfermeiros iniciaram quinta-feira uma greve de 48 horas para exigir a reposição das 35 horas semanais a todos os trabalhadores e celebração de um acordo coletivo de trabalho, bem como pelo pagamento de horas extraordinárias.

Adesão superior a 82% nos hospitais de Setúbal

A União de Sindicatos de Setúbal anunciou que a greve de hoje dos enfermeiros teve uma adesão superior a 82% nos hospitais da região, referindo que também os centros de saúde foram afetados.

Segundo a União de Sindicatos, no hospital do Barreiro a adesão à greve no turno da noite foi de 94,3%, enquanto no turno da manhã foi de 88,8%, enquanto no hospital do Litoral Alentejano a adesão foi de 83,3% no turno da noite e de 93,2% no turno da manhã.

Já o hospital de Setúbal registou 61,3% no turno da noite e 75,5% no turno da manhã, enquanto o Outão apresentou números de adesão de 83,3% e 93,2%.

O documento refere que o hospital Garcia de Orta, em Almada, registou uma adesão de 87,2% no turno da noite, enquanto o hospital do Montijo teve 75% de adesão no mesmo período.

"A greve que os enfermeiros estão hoje a realizar regista uma elevada adesão no distrito de Setúbal, afetando os serviços em muitos hospitais e centros de saúde. Nos centros de saúde do distrito a adesão registada obrigou ao encerramento de vários centros de saúde, registando ainda adesões de 80% em muitos outros", refere a União de Sindicatos de Setúbal.