A greve dos enfermeiros registou 77,3% de adesão nos hospitais de lisboa, Santarém e Setúbal durante o turno da noite, disse o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), José Carlos Martins, nesta terça-feira, em entrevista na TVI24.

O sindicalista frisou que esta adesão “evidencia bem o enorme descontentamento” dos enfermeiros com o Governo e o Ministério da Saúde face ao facto de este ainda não ter apresentado uma contraproposta de revisão salarial para estes profissionais, ao contrário do que aconteceu com outros trabalhadores.

Segundo José Carlos Martins, 70 a 80% dos enfermeiros auferem uma remuneração líquida mensal entre 900 a 1000 euros, quer tenham um ou 30 anos de carreira.

“Isto é uma das razões que levou ao abandono de cerca de 2000 enfermeiros do SNS (Serviço Nacional de Saúde) no prazo de um ano”, entre março de 2014 e março de 2015, destacou.

O dirigente do SEP apontou ainda outros motivos para o descontentamento dos enfermeiros, entre os quais os 10 anos de congelamento das progressões, cortes em 50% das horas extraordinárias, trabalho noturno e ao fim de semana e a “enorme exploração dos enfermeiros especialistas que tiram um curso de especialização (…) prestam mais e melhores cuidados, mas mantém o seu salário."

Mais tarde, em declarações aos jornalistas junto a uma unidade hospitalar de Lisboa, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses sublinhou que " os enfermeiros são os mais mal pagos da administração pública." José Carlos Martins revelou, que durante as negociações com o sindicato, o Ministério da Saúde continua “a escudar-se na situação de crise” para justificar os baixos salários.
 
A greve começou esta terça-feira na região de Lisboa e Vale do Tejo e vai estender-se na quarta-feira ao Alentejo e na quinta-feira ao Algarve, seguindo-se posteriormente mais paralisações na região norte e na região centro.

Todos os serviços hospitalares, incluindo blocos operatórios, consultas de enfermagem, consultas externas de hospitais e dos centros de saúde deverão ser afetados, exceto os internamentos, onde são garantidos os serviços mínimos indispensáveis.

O SEP esperava que a contraproposta de revisão salarial tivesse sido apresentada no dia 27 de julho na última reunião negocial com o governo, o que não se concretizou.

“Esperamos que, em setembro, as apresente tal como o Ministério da Saúde já o fez para outros setores “, apelou José Carlos Martins, dizendo que os enfermeiros não aceitam esta “discriminação negativa” face a outros trabalhadores.