As autoridades de saúde entregaram ao Ministério Público e à tutela um relatório preliminar sobre o surto de ‘legionella’ no Hospital São Francisco Xavier, Lisboa, no prazo indicado pelo ministro da Saúde, segundo a diretora-geral.

De acordo com Graça Freitas, o relatório preliminar sobre o surto de ‘legionella’ foi entregue ao Ministério Público e ao Ministério da Saúde “no prazo pedido” pelo ministro Adalberto Campos Fernandes.

“Trata-se de um relatório preliminar, depois entregaremos um definitivo”, disse a diretora-geral da Saúde aos jornalistas, numa sessão de apresentação do plano de contingência para o inverno.

No dia 5 de novembro, em conferência de imprensa, o ministro da Saúde deu duas semanas à Direção-Geral de Saúde (DGS) e ao Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) para entregarem ao Governo “um relatório detalhado, que seja do conhecimento público", para apurar a forma como as coisas correram.

Contudo, questionada hoje pela Lusa sobre se o documento é público, a diretora-geral da Saúde apenas indicou que foi entregue ao Governo e ao Ministério Público.

A DGS declarou na segunda-feira o fim do surto de ‘legionella’ no Hospital São Francisco Xavier, que provocou pelo menos 56 casos de infeção, cinco dos quais mortais.

Em comunicado divulgado, a DGS refere que “considera que este surto está terminado”.

“O período de incubação é de 2 a 10 dias na maioria dos doentes, não estando descritos casos que ultrapassem os 20 dias. Assim, com a informação disponível, considera-se que este surto está terminado, uma vez que todos os casos diagnosticados, independentemente da data de início de sintomas ou de diagnóstico, tiveram contacto com o hospital e contraíram a infeção antes do encerramento da fonte de transmissão (4 de novembro). No entanto, as autoridades de saúde continuam atentas à situação”, indica a nota da autoridade de saúde.

Até hoje foram confirmados 56 casos de doença dos legionários com ligação ao Hospital São Francisco Xavier e há outros cinco ainda em investigação epidemiológica e laboratorial. Cinco dos doentes infetados acabaram por morrer.

Na nota, a DGS recorda que no dia 3 de novembro o Hospital São Francisco Xavier informou a autoridade de saúde do diagnóstico de três casos de doença dos legionários, tendo sido "de imediato" iniciada a investigação para detetar as possíveis fontes de infeção.

No dia seguinte, 4 de novembro, foram encerradas e tratadas as potenciais fontes emissoras – as torres de refrigeração do hospital, tendo, entretanto, sido concluído através de análises que a fonte de transmissão estava em pelo menos uma dessas torres.

Dos 56 doentes infetados, 42 tiveram já alta clínica, sete ainda estão internados em enfermaria, dois estão internados ainda em cuidados intensivos e cinco acabaram por morrer.

Segundo a DGS, a maioria dos doentes tinha 70 ou mais anos de idade, doença crónica subjacente e fatores de risco.