O Sindicato dos Enfermeiros admite desconvocar a greve marcada para entre 23 e 27 de outubro se na ata da reunião desta segunda-feira com o Governo estiver o compromisso de negociar um contrato coletivo que reestruture a carreira de enfermagem.

Foi uma reunião que correu bem, porque chegámos a um acordo principal, que era a concessão de um acordo coletivo para os enfermeiros que uniformizasse a sua situação de carreira, que não têm neste momento. Nós queríamos, à semelhança do que já tivemos, uma carreira com categorias, com chefias e com uma tabela salarial adequada”, disse à Lusa, o presidente do Sindicato dos Enfermeiros (SE), José Azevedo.

Segundo o dirigente sindical, o compromisso assumido na reunião com o secretário de Estado da Saúde começa a ser negociado já na segunda-feira, o que para José Azevedo “é importante”, porque “finalmente vai cumprir-se um objetivo” de uma reestruturação da carreira.

Assim sendo, é evidente que depois temos que ver se estas concessões vierem salvaguardadas na ata da reunião que tivemos hoje, obviamente que o passo seguinte será a revisão da greve que está decretada e teremos que rever isso”, disse o presidente do SE.

Para além das questões relacionadas com os enfermeiros especialistas, o SE diz que a primeira reunião vai começar por abordar os contratos individuais de trabalho (CIT), para os quais vão exigir condições equiparadas aos dos restantes colegas.

Razões da greve

O Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPE) e o Sindicato dos Enfermeiros (SE) enviaram na passada semana um pré-aviso de greve geral para os dias 23 a 27 de outubro, passando depois a “tempo indeterminado”.

O pré-aviso, a que a Lusa teve acesso, seguiu para os ministérios da Saúde, do Trabalho e Segurança Social, das Finanças e da Administração Interna, poucas horas após os sindicatos terem recebido do gabinete do secretário de Estado da Saúde uma proposta de memorando de entendimento no processo de negociação/contratação.

Os fundamentos desta greve são “a negociação de um ACT que contemple”, entre outros aspetos, a “uniformização de horários de trabalho para 35 horas semanais” e a “introdução da categoria de Enfermeiros Especialistas, nas especialidades criadas ou a criar”.

Já esta manhã o ministro da Saúde tinha dito que Governo e os sindicatos dos enfermeiros estão a esforçar-se para "chegar a um ponto intermédio" nas negociações para evitar a greve convocada para entre 23 e 27 de outubro.

Se todas as partes fizerem um esforço para chegar ao ponto intermédio [da negociação], o acordo é possível e isso está a ser visível nas negociações", afirmou aos jornalistas Adalberto Campos Fernandes, acrescentando que decorre "a bom ritmo" a ronda negocial.

O ministro da Saúde admitiu que as propostas são consideradas "justas" na sua maior parte pela tutela e "sinalizam da parte do Governo um esforço muito grande, até do ponto de vista orçamental".