O presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia considerou hoje que o futuro centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas da Fundação Champalimaud é "uma semente" para o "diagnóstico preciso" de uma "doença rebelde" à terapêutica.

Luís Tomé reagia à Lusa ao anúncio hoje feito pela presidente da Fundação Champalimaud, Leonor Beleza, de um centro de investigação e tratamento direcionado para o cancro do pâncreas, com abertura prevista para outubro de 2020, num terreno ao lado do edifício da fundação, em Lisboa.

Para a construção da nova unidade, a Fundação Champalimaud recebeu 50 milhões de euros da família dos fundadores da multinacional alimentar Danone.

Para o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia, o centro representa o "lançar de uma semente" para o "diagnóstico preciso" do cancro do pâncreas e para se "ensaiar novos medicamentos".

Segundo Luís Tomé, o cancro do pâncreas é uma doença que é diagnosticada tarde, porque "não causa sintomas, tem manifestações atípicas" e o tumor "cresce muito sem colidir com outros órgãos".

"É uma doença rebelde aos tratamentos cirúrgicos e médicos", adiantou, assinalando que o doente tem uma esperança de vida curta, morrendo em média ao fim de seis meses após o diagnóstico.

O cancro do pâncreas é responsável pela morte de cerca de 1.300 pessoas em Portugal e mais de 330 mil no mundo por ano.

A incidência da doença tem vindo a aumentar, surgindo todos os anos perto de 280 mil novos casos a nível mundial.

Atualmente, o cancro do pâncreas é a quinta causa mais frequente de morte por cancro, prevendo alguns especialistas que passe a ser a quarta causa dentro de cerca de uma década.

A Fundação Champalimaud já tem um centro clínico e de investigação (Centro Clínico Champalimaud) direcionado para os cancros com maior incidência, incluindo os digestivos como o pâncreas.