O ministro da Saúde, Paulo Macedo, afastou este sábado a possibilidade de construção de um hospital no Seixal, uma reivindicação da população daquela área geográfica, que considera que a unidade hospitalar de Almada não responde às necessidades.

Confrontado com a manifestação desta tarde da população do Seixal em frente ao hospital Garcia de Orta, Paulo Macedo justificou a recusa na construção de uma nova unidade com o investimento estratégico realizado na península de Setúbal,

«Neste anos de crise, temos feito um investimento na península de Setúbal superior a 200 milhões de euros», afirmou, depois das visitas a unidades de saúde locais, nos quais foi aberto um período de atendimento extraordinário aos sábados (das 10:00 às 14:00) e aos dias de semana (20:00 às 22:00), por causa do surto de gripe.

Paulo Macedo explicou que aquele montante foi aplicado nos hospitais de Setúbal, Garcia da Orta e Barreiro-Montijo, além das verbas transferidas anualmente.

«O Estado, além dos orçamentos anuais, fez investimentos, disponibilizou fundos, reduziu passivos e fez aumentos de capital em dinheiro, ou seja, deu dinheiro para regularização de dívidas, perto dos 300 milhões de euros, dos quais 120 milhões no hospital Garcia da Orta», pormenorizou.

O ministro realçou a importância do investimento de 200 milhões de euros, permitindo «dotar aqueles hospitais de uma situação económico-financeira equilibrada para poderem prosseguir, mais do que estar a dispersar recursos para outro hospital».

«O que achamos é que o que se justifica é potenciar aquelas equipas [hospitalares]», salientou.

As Comissões de Utentes da Saúde do Seixal e Almada esperam uma boa participação na concentração junto ao Hospital Garcia de Orta para exigir mais facilidade no acesso aos cuidados médicos nos dois concelhos.

A concentração promovida pelas duas comissões surge na sequência da demora excessiva no atendimento médico e das mortes que ocorreram em diversos serviços de urgência dos hospitais públicos, designadamente no Hospital Garcia de Orta, em Almada, no distrito de Setúbal.

Segundo José Sales, da Comissão de Utentes da Saúde do Seixal, faltam médicos e enfermeiros nas urgências e noutros serviços daquela unidade.

Para reduzir o elevado número de doentes que recorrem à urgência do Garcia de Orta, os utentes consideram que seria necessário prolongar o horário de atendimento nos centros de saúde até à meia-noite e não apenas até às 22:00 (antes funcionavam só até às 20:00), como se verifica desde há alguns dias.