O Tribunal do Fundão começou, esta quinta-feira, a julgar à porta fechada o padre de 37 anos, ex-vice reitor do Seminário do Fundão, que está acusado de 19 crimes de abuso sexual de menores.

A decisão de fechar o julgamento ao público, incluindo jornalistas, prende-se com o facto de o processo ter vítimas sexuais menores e já era esperada, pelo que no local havia poucas pessoas com intenção de assistir.

Com início previsto para as 09:00, a primeira sessão do julgamento começou já depois das 10:30, altura em que as testemunhas arroladas (50 pessoas) foram informadas de que já não seriam ouvidas durante a manhã desta quinta-feira.

Cinco dessas pessoas deverão testemunhar durante a tarde, as restantes vão depor em outras sessões, que já ficaram marcadas para os dias 26 de setembro, 02, 14 e 16 de outubro.

O tribunal pretende ouvir 10 testemunhas por dia, primeiro as de acusação (19), seguindo-se as 31 de defesa.

Das seis vítimas, prevê-se que apenas uma (um jovem que terá sido abusado em 2008 e que hoje já é maior de idade) preste declarações. As restantes já foram ouvidas para memória futura em fase de inquérito.

O arguido deverá ter prestado declarações ao longo da manhã, isto se não optou pelo direito ao silêncio. À Lusa, o advogado de defesa, Inácio Vilar, recusou dizer qual a opção do cliente.

Em fase de inquérito e no âmbito da avaliação psicológica a que foi sujeito, o padre prestou declarações, mas não confessou qualquer crime, tendo apenas assumido que se deitava com as crianças para as «consolar» e «confortar».

De acordo com a acusação, o padre terá abusado de seis crianças entre os 13 e os 15 anos, cinco das quais alunos em regime de internato no Seminário do Fundão, local aonde alegadamente os crimes foram cometidos.

A acusação refere que Luís Mendes terá agido sempre com menores que considerava «mais fracos emocional ou familiarmente e sobre quem tinha forte ascendente». Às vítimas, o padre diria que aquilo que fazia era «o que os pais faziam aos filhos».

Essa justificação também foi apresentada pelo próprio durante a já referida avaliação psicológica, na qual se conclui que sofre de «perturbação da personalidade, com desvio no comportamento sexual». Os peritos que realizaram a avaliação alertam ainda para o «risco de reincidência».

O padre encontra-se em prisão domiciliária desde o dia em que foi detido (07 de dezembro de 2012). Inicialmente ficou em casa dos pais em S. Romão (localidade do concelho de Seia de onde é natural) e mais tarde foi transferido para uma casa da Diocese da Guarda.

Esta quinta-feira, foi conduzido ao tribunal pelos técnicos do Instituto de Reinserção Social e entrou no edifício pela garagem antes mesmo das 09:00.