Mesmo que falhem as palavras, os documentos mostram que não terá sido por falta de avisos que alguém não fez qualquer intervenção na zona, eventualmente, facilitando a deteção do carvalho "doente" que ontem tirou a vida a 13 pessoas na freguesia do Monte, no Funchal.

Os documentos a que a TVI teve acesso mostram que, pelos menos duas vezes, de modo formal, chegaram cartas à Câmara alertando para a situação, quer dos plátanos naquela área, quer para a vegetação de toda a zona em redor do Largo da Fonte, onde ocorreu esta terça-feira a tragédia, até ao largo da Babosa.

A 15 de setembro de 2016, o pedido de limpeza e tratamento daquela área fica claro no documento a que a TVI teve acesso. A junta de freguesia, em carta assinada pela presidente, Maria Idalina da Silva, dizia que “algumas reclamações tinham chegado à junta”, nomeadamente, de habitantes que referiam que ao visitarem a área ficaram “preocupados com a falta de limpeza e muitas plantas secas.”

 

Embora as preocupações expressas fossem mais no sentido de alertar por causa dos incêndios, fica clara a falta de atenção dada ao parque.

Já a 1 de julho deste ano, e com as festas da Nossa Senhora do Monte a aproximarem-se, a junta voltou a alertar para a queda de “um galho de grande porte”, sendo que anexava foto. E solicitava que fosse feito “um corte/ poda dos plátanos existentes, desde o Largo da Fonte até ao largo da Barbosa”.

A resposta chegou a 31 de julho. A autarquia dizia que “os plátanos do largo da Fonte, caso se justifique, irão ser intervencionados, oportunamente.”

A oportunidade para limpar a zona, e eventualmente, evitar a tragédia, nunca chegou.

À TVI, a presidente da junta não quis falar destes documentos nem sobre as declarações do presidente da Câmara, Paulo Cafôfo: “A árvore que caiu hoje é um carvalho, não um plátano [...]. Apresentava uma copa verde e saudável, não aparentando qualquer anomalia fitossanitária.”

Maria Idalina da Silva diz que prefere agora focar-se nas "famílias que foram atingidas por esta tristeza, famílias da freguesia, dos outros concelhos e turistas.”

Mas acrescenta: "Quando falamos em plátanos, falamos de toda a vegetação. E quando passar este período haverá outras prioridades. Tudo a seu tempo.”

A munícipe já teve conhecimento da peritagem anunciada pela Câmara, apesar de assumir que não sabe se tal já começou, efetivamente, e que não fala ainda com o presidente da Câmara.

“As minhas preocupações, neste momento, são outras.”