A entrada de imigrantes indocumentados nos países da União Europeia (UE) aumentou 48% no ano passado, segundo dados apresentados esta segunda-feira, no parlamento grego, pela agência europeia de controlo e gestão das fronteiras (Frontex).

Durante o encontro entre os presidentes das comissões de assuntos internos de todos os parlamentos da UE, reunidos em Atenas, o diretor executivo da Frontex, Ilka Laitinen, informou que, em 2013, se registaram 170 mil entradas irregulares nas fronteiras externas da União, mais 48% do que em 2012.

Segundo concretizou, o significativo aumento explica-se especialmente pelo número crescente de sírios que estão a fugir do seu país.

O número mais significativo de entradas registou-se na zona do Mediterrâneo Central, que está na rota dos sírios e dos habitantes do Corno de África.

Os 40 mil casos contabilizados em 2013 na região do Mediterrâneo Central traduzem uma subida de 288%, em relação a 2012, especificou a Frontex.

A agência comunitária contabilizou ainda 344 mil casos de pessoas de países extracomunitários sem autorização de residência no espaço da UE durante 2013.

Já os pedidos de asilo, mais de 350 mil no ano passado, aumentaram 32% em relação a 2012.

A comissária europeia para os assuntos internos, Cecilia Malmstrom, que assistiu ao encontro no parlamento grego, destacou as medidas que o Governo de Atenas está a adotar para tentar controlar os fluxos migratórios.

O combate à imigração ilegal e o tráfico de seres humanos, bem como o controlo das fronteiras europeias, são temas prioritários da agenda da presidência grega da UE.

Na sua intervenção, Cecilia Malmstrom garantiu que a UE está consciente do problema que o elevado número de entradas irregulares de imigrantes coloca à Grécia, dada a «difícil situação política e económica» do país.

Não obstante, assinalou, todos os países da UE devem cumprir normas mínimas em relação aos requerentes de asilo e ao respeito pelos direitos humanos.

A comissária elogiou a gestão do Governo grego, liderado por Antonis Samaras, animando-o a «trabalhar duramente para melhorar as condições de acolhimento» de imigrantes e a «aplicação prática de normas europeias».

A Grécia - segundo a Frontex, atualmente o segundo país com mais entradas irregulares nas fronteiras - defende uma mais equilibrada distribuição dos imigrantes indocumentados que chegam às costas do Mediterrâneo Central, partilhadas por Itália, Espanha, Chipre e Malta.