Por: Redacção / AP | 19- 3- 2009 15: 57
O antigo presidente da Câmara de Alcochete Miguel Boieiro admitiu esta quinta-feira que foi convidado para ir a Inglaterra
visitar um centro comercial do mesmo género do Freeport, mas garantiu que a viagem nunca se concretizou, noticia a agência
Lusa.
«Uma pergunta que me fizeram foi se eu tinha sido convidado para ir a Londres ver um empreendimento idêntico
(ao Freeport). Fui de facto convidado mas, por razões que desconheço, não se concretizou a viagem», disse Miguel Boieiro depois
de ter sido ouvido esta quinta-feira durante cerca de três horas na Polícia Judiciária de Setúbal.
O antigo autarca
comunista, que foi ouvido apenas durante a manhã, reafirmou a convicção de que o projecto Freeport era vantajoso para o concelho
de Alcochete e disse ter ficado surpreendido com o chumbo do mesmo a poucos dias das eleições autárquicas de 2001, facto que
disse ter sido prejudicial para a CDU.
«Todos de orelha murcha»
«[O chumbo do Freeport] foi muito
importante para quebrar a força do partido, ou da organização que estava no poder na Câmara, na altura: a CDU», disse Miguel
Boieiro.
«Ficámos todos de orelha murcha quando, de repente, a poucos dias das eleições, um projecto que nós considerávamos
importante para o concelho foi chumbado», acrescentou o ex-autarca comunista, que presidiu ao executivo de maioria CDU na
Câmara de Alcochete entre 1982 e 2001.
Para Miguel Boieiro foi ainda mais estranho o facto de ter sido feito um (novo)
projecto, alegadamente «aprovado em tempo recorde, em menos dois meses».
«Bom, aí deve ter havido ¿malandrice¿»,
disse o ex-autarca comunista, reafirmando a convicção de que o chumbo do projecto inicial poderá ter sido uma decisão de estratégia
política para prejudicar a CDU nas eleições autárquicas de 2001, que viria a perder a autarquia para o PS, à época o partido
do Governo.
Questionado pelos jornalistas, Miguel Boieiro disse ainda que nunca se reuniu com o então ministro do
Ambiente, José Sócrates, no âmbito do «caso Freeport», mas admitiu que manteve contactos com Charles Smith e Manuel Pedro,
dois arguidos do processo.
Miguel Boieiro considerou ainda que o chumbo do projecto inicial do Freeport foi um «deslealdade
institucional» do Governo para com a autarquia que liderava, mas também para os promotores do empreendimento, que já tinham
investido muito dinheiro na limpeza e descontaminação dos solos.
Questões ambientais
No que respeita
às questões ambientais, o autarca assegurou que o projecto não trouxe qualquer consequência negativa para a região, antes
pelo contrário, porque permitiu a descontaminação dos solos.
Por outro lado, Miguel Boieiro defendeu que os problemas
ambientais no âmbito do «caso Freeport» só foram suscitados porque tinha havido anteriormente um erro na delimitação da Zona
de Protecção Especial.
O processo relativo ao espaço comercial Freeport de Alcochete está relacionado com alegadas
suspeitas de corrupção no licenciamento daquele espaço, em 2002, quando era ministro do Ambiente José Sócrates, actual primeiro-ministro.
Diligências diárias
A investigação relativa ao «caso Freeport» começou a ser desenvolvida pelo Ministério
Público junto do Tribunal Criminal do Montijo, antes de passar para o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP),
em Lisboa, envolvendo a participação da PJ.
Uma «informação» do DCIAP fornecida hoje à Agência Lusa indica que «todos
os dias da semana são feitas diligências no âmbito do processo Freeport, mas não necessariamente nas instalações do Departamento
Central de Investigação e Acção Penal».
Neste momento, o processo tem dois arguidos: o empresário escocês Charles
Smith e o seu antigo sócio numa empresa de consultoria Manuel Pedro, que serviram de intermediários no negócio do espaço comercial.
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