Atualizada às 12:37

O ministro do Ambiente revelou esta sexta-feira, na comissão da DGS  as torres de refrigeração da empresa   Adubos de Portugal são a fonte do surto  em Vila Franca de Xira e as conclusões enviadas para o Ministério Público.

A empresa informou a TVI24 que de momento ainda não existem comentários, mas que será emitido um comunicado de imprensa ainda esta sexta-feira.

Jorge Moreira da Silva esclareceu que, apesar de se manter o segredo de justiça – que há uma semana foi a razão apontada pelas autoridades para não revelar a origem do surto – os resultados agora disponíveis apresentam dados mais concretos.

«Estamos perante resultados que resultam de análises de cultura e uma coincidência com a estirpe clínica. Só se avança para este tipo de informação para o Ministério Público quando existem dados robustos», disse.

O ministro adiantou ainda que são estes dados que irão, junto do Ministério Público, ajudar no esclarecimento sobre a existência de um «eventual crime ambiental em relação a esta empresa», numa referência à Adubos de Portugal.

Segundo a Lusa, a empresa Adubos de Portugal obteve na quarta-feira autorização da Inspeção Geral do Ambiente para tratar as torres de refrigeração ainda paradas.

Esta sexta-feira, a empresa Solvay, uma das três empresas cujas análises acusaram vestígios de legionella, anunciou que a bactéria não foi agora identificada nos testes realizados por um «laboratório independente».

Em comunicado, a Solvay refere que «os resultados finais das análises» a que procedeu «em laboratório microbiológico acreditado, independente e sem conhecimento do nome da entidade à qual as águas pertenciam, acabam de revelar a ausência absoluta de legionella de qualquer estirpe em todas as amostras colhidas» na empresa.

A empresa - cuja bandeira à entrada da fábrica se encontra a meia haste, ao lado da bandeira nacional -, indicou que voltou «a funcionar em plena normalidade» e garante que «cumpriu rápida e escrupulosamente todas as medidas cautelares indicadas pelas autoridades».

Surto já fez dez mortos

Por sua vez, o diretor-geral da Saúde revelou que o surto de legionella em Vila Franca de Xira fez dez mortos. As mortes aconteceram no dia 9 e 11 de novembro.

Reunido com o grupo de trabalho para o combate ao surto de infeção por legionella, Francisco George revelou ainda que houve 336 casos confirmados e que neste momento estão ainda internados 140 doentes, 38 nos cuidados intensivos, sendo que 23 continuam com ventilação. 

Já ministro da Saúde declarou extinto o surto que começou no passado dia 07, apesar de ainda poderem ocorrer mais óbitos.

Paulo Macedo sublinhou ainda a resposta dos hospitais que «trataram mais de 300 pneumonias», sem que tal afetasse a produção normal destas unidades de saúde.

Segundo o ministro, os resultados laboratoriais agora divulgados reforçam a informação obtida anteriormente que apontam para uma relação entre as bactérias encontradas numa torre de refrigeração da empresa Adubos de Portugal e as recolhidas para análise de doentes.

Trata-se de «uma informação que confirma todas as outras que já tivemos, em relação à fonte de emissão», disse.

Paulo Macedo ressalvou que ainda poderão ser conhecidos novos dados, uma vez que ainda há análises a decorrer.