A ministra da Justiça classificou, nesta segunda-feira, os projetos "Justiça para Tod@s" e "Vidas Ubuntu" como um “modelo de partilha” que marcam o que deve ser a “inovação social” e mostram como Estado e sociedade civil podem caminhar juntos.

Estes dois projetos constituem exemplos claros de iniciativas que aproximam os cidadãos à Justiça, mas que também, simultaneamente, trazem os valores da Justiça para junto dos Cidadãos. Sobretudo os mais jovens”, afirmou Francisca van Dunem, que falava na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, na apresentação da edição 2016/2017 dos projetos.

Numa cerimónia em que participaram o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, e o presidente do Instituto Padre António Vieira (IPAV), Rui Marques, a ministra disse estimar que os dois projetos abranjam mais de 7.500 jovens, mais de 150 escolas de todo o país, centros educativos, estabelecimentos prisionais, além de envolverem mais de 400 professores, técnicos, juízes, advogados e psicólogos.

Para Francisca van Dunem, trata-se de “iniciativas verdadeiramente exemplares num modelo de ligação entre Estado e sociedade civil para a prossecução de uma ambição partilhada”.

Uma ambição de ajudar a promover uma cultura de valores democráticos e de respeito pela diversidade a partir da educação”, frisou.

Por seu lado, Tiago Brandão Rodrigues realçou que, nesta ação conjunta, várias entidades "dão as mãos para promoverem os valores democráticos", a partir de uma ideia de Educação que tem a Justiça e o Direito, incluindo os Direitos Humanos, "no seu centro".

Dão as maõs para mostrar a todos como jamais seria possível dirigirmos como povo um Estado de Direito sem que nos seus alicerces estejam a Educação, a Justiça, o Direito e a Humanidade, como algo inabdicável à condição cidadão", sublinhou o ministro da Educação.

Observou que os projetos "Justiça para Tod@s" e "Vidas Ubuntu" são dirigidas aos mais novos e de forma a os educar para estes alicerces e para a cidadania de molde que "dure toda uma vida".

O projeto "Vidas Ubuntu" é um programa de apresentação de histórias de vida, contadas na primeira pessoa, através da metodologia do `personal storytelling´. destinado a jovens dos 14 aos 25 anos, provenientes, na sua maioria, de contextos vulneráveis. Visa, entre outros aspetos, valorizar as raízes sociais/culturais dos jovens e reforçar a autoestima e a autoconfiança destes, projetando o futuro a partir da experiência de vida.

O "Justiça para Tod@s" destina-se aos jovens dos 12 asos 25 anos e visa promover os valores democráticos, através de workshops e jogos de simulação de julgamentos. Está previsto a realização de 300 simulações de julgamento que, segundo o ministro da Educação, permitirá aos jovens colocarem-se de "um lado e do outro da barricada".

“Justiça para Tod@s” tem como parceiro o Centro de Estudos Judiciários (CEJ) e é uma iniciativa na qual se apresentam casos reais em temas sensíveis de salvaguarda de valores essenciais, para que os jovens estudantes participantes os possam interpretar e representar.

A Direção-Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais inclui este projeto nos centros educativos, garantindo um contacto efetivo de jovens em situações mais vulneráveis com os valores essenciais da nossa democracia.

Nas sessões deste programa fala-se de tribunais, do juiz, do magistrado do Ministério Público, do advogado e do sentido e missão de cada um destes organismos e/ou instituições de modo a aproximar os jovens do sistema de justiça e dos princípios do direito aos quais não podem ficar indiferentes.

Já o projeto “Vidas Ubuntu é uma iniciativa que visa a inclusão social a partir do relatar de histórias.

Trata-se de um programa de estruturação e apresentação de histórias de vida, contadas na primeira pessoa, para jovens dos 14 aos 25 anos, na maioria provenientes de contextos vulneráveis, realizado em sessões de trabalho com equipas criadas para o efeito.

Ubuntu é uma filosofia existente nas línguas zulu e xhosa, línguas bantu do grupo ngúni, faladas pelos povos da África subsaariana, que consiste na capacidade de compreender, aceitar e tratar bem o outro. O bispo emérito da África do Sul, Desmond Tutu, e o prémio Nobel da Paz Nelson Mandela são dois dos expoentes máximos do conceito Ubuntu.