O ensaísta Eduardo Lourenço afirmou esta quarta-feira, num fórum internacional, em Lisboa, que «o homem é um ser cultural por intuição» e, através da cultura, «constrói e desconstrói o futuro».

O escritor falava à agência Lusa num intervalo do Fórum Internacional «O Lugar da Cultura», que debate, no Centro Cultural de Belém (CCB), durante estes três dias, o papel da cultura nos modelos de desenvolvimento das sociedades atuais.

«Tudo é cultura. A cultura está em toda a parte e todo o ato cultural promove o homem», sustentou Eduardo Lourenço, que não participa no fórum como orador, mas quis ouvir as intervenções.


O filósofo salientou que a cultura «é o próprio homem, o Humanismo», comentando ainda que decidiu estar presente «não para ouvir definições de cultura, mas as ideias e os debates sobre o papel da cultura no desenvolvimento das sociedades».

Durante a manhã, depois de um painel sobre «A Cultura para lá da política», no qual falaram o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e o antigo presidente do Parlamento Europeu, Enrique Barón Crespo, seguiu-se um painel sobre «A cultura para lá da economia».

Falando neste painel, o ministro da Cultura de Cabo Verde, Mário Lúcio Matias de Sousa Mendes, considerou "um erro, não diferenciar a cultura da gestão cultural", sustentando que «a cultura não está ao serviço de nada, é transcendental, e causa primeira do desenvolvimento humano».

«A violência que se vê hoje na sociedade vem do facto que a economia suplantou o lugar da cultura, que sofreu um desinvestimento», opinou.

Por seu turno, no mesmo painel, o economista checo Tomas Sedlacek considerou que «a depressão atual da Europa resulta de se ter retirado tudo do sistema capitalista».

«O primeiro objetivo da União Europeia era obter a paz e a seguir promover o comércio, já alcançados, sobretudo com a moeda única. Será que não temos mais sonhos?», questionou, defendendo que, se os europeus querem mais deste modelo, «devem mudá-lo».

Na opinião do economista, «ao contrário do que as pessoas pensam, o modelo capitalista não é vazio de valores, antes pelo contrário, tem uma moral muito forte - que inclui a responsabilidade, a prudência e a liberdade, além do consumismo - que está a substituir as outras morais sem que as pessoas de deem conta», como reporta a Lusa.

Na quinta-feira, o fórum, promovido pela Secretaria de Estado da Cultura, prossegue com o colóquio «Cultura e Desenvolvimento - Estudos Cultura 2020», no quadro europeu de financiamento 2014/2020, e, na sexta-feira, com mesas redondas sobre as políticas setoriais, com a participação dos principais responsáveis de organismos públicos desta área.