Dos bombeiros, chega uma constatação: que a prevenção dos incêndios florestais não funciona. O comandante dos Bombeiros Voluntários de Condeixa, Fernando Gonçalves, denunciou defendeu esta quinta-feira, em Bruxelas, um planeamento a longo prazo e maior investimento neste pilar do combate a fogos.

Fernando Gonçalves participou hoje, a convite da eurodeputada do BE, Marisa Matias, num colóquio sobre fogos florestais no Sul da Europa, no Parlamento Europeu.

“Temos que gastar mais dinheiro na prevenção do que no combate, temos que perceber que a prevenção tem que ser feita, não é de um ano para o outro - tem alguns anos, para depois o combate ser feito como nos outros países, com mais eficácia”


Em declarações à Lusa, o comandante dos Voluntários de Condeixa, que é também formador de bombeiros, defendeu o regresso ao modelo da vigilância por guardas-florestais, entre outras medidas.

“Falta voltar aos guardas-florestais que havia antigamente, alguém que conheça a floresta todo o ano, fazer queimas controladas durante o inverno, faixas de contenção, tratar de toda a biomassa para que no verão”, considerou.

O responsável alertou ainda para o problema de a GNR não atuar para impor o cumprimento da legislação que obriga a que as matas estejam todas limpas num raio de 100 metros das aldeias, o que obriga os bombeiros a dar prioridade à proteção das casas em vez de fazerem o combate ao incêndio na floresta.

Marisa Matias, por seu lado, salientou à Lusa que falta fazer “quase tudo” no domínio da prevenção de incêndios florestais. A nível europeu, a deputada defende uma política florestal e de proteção civil comuns.

O combate aos fogos divide-se em três pilares: prevenção, vigilância e ação no terreno. Em relação a este último, Marisa Matias lembrou que a desertificação do interior do país torna mais difícil recrutar bombeiros voluntários.