A Quercus alertou hoje para o risco de contaminação da água com as cinzas dos incêndios no interior do país e para a morte de milhares de animais, apelando a uma “reflexão profunda na sociedade” sobre esta problemática.

A associação ambientalista diz, em comunicado, estar “apreensiva com esta terceira vaga de incêndios” no interior do país devido também “à degradação da água quando forem arrastadas as cinzas para o rio Zêzere e ribeiras afluentes”.

Apesar do tratamento da água efetuado pela EPAL, devem ser reduzidos os riscos preventivamente com a reflorestação e gestão de ativa com o objetivo de conservação dos recursos naturais”, defendem os ambientalistas.

A associação salienta que “a seca extrema e severa da vegetação, associada às condições meteorológicas adversas estão a aumentar os impactes dos incêndios, com a destruição da floresta em milhares de hectares, as emissões de fumo, libertação de dióxido de carbono, partículas e outros compostos e o risco de contaminação de linhas de água com as cinzas”.

Também a fauna selvagem e as espécies cinegéticas “estão a ser severamente afetadas” pelos incêndios com a morte de milhares de animais de várias espécies, lamenta.

A associação defende que é “necessário estudar melhor as causas dos incêndios”, afirmando que “cerca de 98% das ignições iniciais têm origem humana, umas de forma criminosa, mas muitas também por negligência no uso do fogo”.

Acresce ao problema, a rapidez da propagação baseada na combustibilidade da vegetação existente, sublinha, observando que este ano tem-se verificado que, “não apenas as áreas sem gestão ardem com facilidade, mas também os eucaliptais, mesmo os geridos em milhares de hectares, como se verificou no grande incêndio de Aldeia do Mato, no concelho de Abrantes”.

A Quercus alerta ainda que as projeções de folhas e cascas de eucalipto podem atear novos fogos até cerca de quilómetros do fogo inicial, como constatou um investigador do Laboratório de Fogos Florestais da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Os ventos gerados pelo próprio incêndio podem projetar para outros locais casca de eucalipto em chamas, dando origem a focos secundários e novas frentes de fogo, o que tornam o problema ainda maior em termos de risco e segurança para as populações, pelo que deverá ser melhor estudado o comportamento do fogo pelas principais espécies arbóreas que ocorrem nos espaços florestais”, defende a Quercus.

O caso mais recente de projeções de material incandescente que provocou um novo foco secundário, foi na tarde do passado sábado, quando o incêndio que estava a ocorrer nos eucaliptais em Ferreira do Zêzere, na zona de Dornes para a Pombeira, e uma projeção saltou sobre a Albufeira de Castelo do Bode, onde esta tem uma largura de mais de 300 metros.

A Quercus considera que deverá ser feita uma reflexão profunda na sociedade sobre a problemática dos riscos na floresta, para que seja alterado o paradigma da floresta que temos.