O incêndio que deflagrou terça-feira à noite em Água Formosa, Vila de Rei, mantém uma frente ativa e voltou a lavrar com muita intensidade e muitas projeções ao início durante a tarde. Já atravessou aldeias - a de Louriceira foi consumida pelas chamas.

A reportagem da TVI em Mação testemunhou, pelas 15:15, momentos aflitivos das chamas a aproximarem-se rapidamente das casas. 

A TVI apurou que o vereador da câmara de Mação esteve na aldeia de Louriceira e conseguiu retirar as crianças, transportando-as dentro de um jipe, que seguia atrás da viatura da TVI. A indicação é que as crianças estão bem. Sete a oito pessoas recusaram sair da aldeia, apesar da insistência da GNR e do presidente da junta de freguesia de Mação. 

"Arderam várias casas devolutas, mas não houve danos humanos", disse à agência Lusa o vereador Vasco Marques.

Eu já entrei na aldeia, fui eu quem a evacuou e sei quem lá ficou, seis ou sete moradores que não quiseram sair, mas que estão lá todos".

A última família a ser retirada no seu jipe "era composta por duas crianças, mãe, avó e bisavô". Vasco Marques sublinhou que "não há danos humanos a registar".

Várias aldeias na linha de fogo

Contacto pela Lusa, momentos antes, o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, disse que "a situação é muito, muito crítica em várias aldeias".

No último balanço feito pela Proteção Civil, pelas 18:35, a adjunta nacional Patrícia Gaspar indicou que os incêndios que lavram em Mação e em Vila de Rei estão a ser combatidos "de forma concertada" por quinze meios aéreos.

A situação continua muito complexa no local, e, devido à proximidade dos dois municípios, a opção foi alocar a totalidade dos meios aéreos e a gestão está a ser feita de forma integrada. O fogo está muito complexo, com muito vento, e a assumir um comportamento do lado de Mação com projeções e propagação muito rápida e com muita intensidade"

As aldeias de Louriceira, Chão de Codes e Aboboreira estão na linha do fogo. A aldeia da Carregueira estava já cercada pelas chamas ao final da tarde. "Além dos próprios ventos, as correntes geradas pelos incêndios estão a dificultar muito as operações".

Pelas 22:30, estavam no terreno a combater estas frentes de fogo de Vila de Rei e Mação 830 operacionais, apoiados por 259 viaturas, segundo a informação da página da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Devido ao incêndio estão cortadas  a A23, entre o Nó de Mouriscas e Nó de Gardete, a EN 244-3, entre Louriceira e Serra, a EM 1284 entre Chão Codes e Vila de Rei, a EM 548 entre Chão de Codes e Aboboreira, e os CM 1284; CM 75; CM 1285.

 

"Situação dramática"

O incêndio que lavra em Mação é caracterizado como uma "situação dramática" que obrigou, entretanto, à evacuação da aldeia de Vale de Amêndoa, segundo o presidente da autarquia, Vasco Estrela. As pessoas foram levadas para a Santa Casa da Misericórdia de Mação.

É dramático, o vento vai levantar-se durante a tarde e o fogo está a dirigir-se para a aldeia de Aboboreira e para a vila de Mação e os meios de combate no terreno são insuficientes para resolver esta situação".

O presidente da Câmara do Sardoal anunciou ao final da tarde que o incêndio florestal que lavra desde o vizinho concelho de Mação está a obrigar a evacuar, por precaução, várias aldeias do município.

“Estamos a evacuar um conjunto de aldeias, entre as quais Vale das Onegas, Saramaga e Tojeira”, afirmou à agência Lusa o autarca António Miguel Borges.

O presidente da autarquia do distrito de Santarém explicou que a retirada dos habitantes destas aldeias do concelho do Sardoal se justifica como medida de precaução, depois de as chamas terem tomado proporções sem controlo.

Força Aérea entra em ação

A Força Aérea tem hoje cerca de 60 militares, com meios aéreos e terrestres, a apoiar a Autoridade Nacional de Proteção Civil no âmbito da prevenção e controlo contra os incêndios florestais em curso (mais de 190).

A Proteção Civil indicou que, no total, há 639 militares mobilizados para vários pontos do país.