O comandante dos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos disse, esta terça-feira de manhã, que no interior norte do distrito de Leiria, afetado pelo incêndio que começou em Pedrógão Grande, no dia 17 de junho, não houve mais falhas do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) do que é habitual. Em declarações à TVI24, Paulo Nogueira frisou que há várias “zonas sombra” no concelho que "não estão cobertas pelo SIRESP" e que houve também sobrecargas, mas garantiu que teve sempre comunicações.

Na minha zona, eu tive sempre comunicações. Há muitas zonas sombra do SIRESP e estão de alguma forma identificadas desde que foi implementado o SIRESP . (…) A certa altura houve uma sobrecarga das comunicações. Agora, eu tive sempre comunicações porque tenho outro tipo de comunicações, que é a nossa rede ROB [Rede Operacional de Bombeiros]”, afirmou.

Para Paulo Nogueira, independentemente das várias zonas de difícil acesso no concelho que "não estão cobertas”, o SIRESP é uma “mais-valia” porque é uma das várias formas possíveis de comunicar.

“Quando nós temos dois canais alternativos ou dois métodos, as comunicações não falham. Se eu não consigo transmitir pelo SIRESP, vai pela ROB. Se não conseguir pela ROB, vai pelo SIRESP”, acrescentou.

Questionado sobre o relatório de desempenho do SIRESP, publicado no portal do Governo, e em que a empresa privada que gere a rede de comunicações de emergência do Estado garantiu ter assegurado sempre as “comunicações e a interoperabilidade das forças de emergência e segurança”, contrariando a versão da própria Proteção Civil, que assumiu a existência de falhas, Paulo Nogueira referiu que não houve mais falhas do que o habitual. O comandante dos bombeiros explicou que o que há são várias zonas de difícil acesso no concelho que "não estão cobertas pelo SIRESP".

No teatro de operações, tenho as minhas zonas sombra, [o SIRESP] falha sempre. Onde eu andei, que é a minha parte do concelho, onde o incêndio entrou, claro que nessas zona sombra, ele falhou. Se já falha numa atividade normal, também falhou nessa parte.”

Paulo Nogueira apontou que as "zonas sombra" foram identificadas "desde que o SIRESP foi criado", mas a situação nunca foi "retificada".

“Quando foi implementado o SIRESP, a Autoridade Nacional de Proteção Civil fez um comunicado para quem tivesse zonas sombra fazer um envio, num mapa, referenciando essa falhas, na qual foi referenciado. E isso está referenciado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil, através dos CDOS.”

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Figueiró dos Vinhos sublinhou ainda que houve sobrecarga dos canais de comunicações, especialmente "nos canais de manobra" e não tanto nos de comando.

A minha função é comunicar e de forma que não falhem as comunicações. Por vezes, há aquelas sobrecargas todas que a gente tem na rede telefónica. Às vezes ele [SIRESP] ficava bloqueado porque era excesso de carga ou qualquer coisa assim. Isso aconteceu. Mas comunicações não me falharam porque eu consegui falar com as equipas.”

 

Às vezes tinha que subir mais um bocadinho no terreno e então ia procurar as comunicações para fazer os contactos com as equipas. Aí sim, mais nas equipas tinha alguma falha. Agora, da parte do canal de comando que estava a trabalhar com o posto de comando, não tive assim grandes dificuldades.”

A “fita do tempo” das comunicações registadas pela Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC) revela falhas "quase por completo" nas primeiras horas do incêndio em Pedrógão Grande, "impedindo a ajuda às populações".

A “fita do tempo” resulta do Sistema de Apoio à Decisão Operacional (SADO) da ANPC, uma espécie de “caixa negra” que permite registar a sequência ordenada dos principais acontecimentos e decisões operacionais.

Os registos foram disponibilizados ao primeiro-ministro no dia 23, um dia depois de a ANPC ter enviado a António Costa as primeiras explicações sobre as falhas nos incêndios.

O primeiro registo da “fita do tempo” é das 19:45 de sábado, hora em que começaram os problemas na rede de comunicações. De acordo com esse registo, nessas primeiras horas que existiram vários pedidos de ajuda de pessoas cercadas pelo fogo, a que os comandos operacionais não conseguiram dar resposta imediata, devido às falhas nas comunicações.