O escorrega gigante previsto para o fim de semana, na Figueira da Foz, foi cancelado por questões de segurança relacionadas com a colocação do insuflável na rampa metálica que atravessaria a avenida marginal até à praia.

Em declarações à agência Lusa, Mário Ferreira, promotor do "City Water Slide", explicou que "havia o perigo" de o insuflável deslizar na estrutura de suporte - uma rampa metálica com 150 metros de comprimento que permitiria vencer um desnível de 18 metros de altura entre a esplanada Silva Guimarães e praia do Relógio, por cima da avenida 25 de Abril.

"O insuflável poderia deslizar ou rasgar, com pessoas a 18 metros de altura, que podiam ir contra as laterais ou umas contra as outras. A uma semana do evento, não conseguimos arranjar uma solução técnica que nos permitisse ultrapassar o problema e como nunca poderíamos colocar em causa a segurança, cancelámos", explicou.


A situação foi detetada em Lisboa, nos dias 11 e 12, num evento do género realizado no Parque Eduardo VII: perante o peso da água utilizada no escorrega e o peso dos participantes, os promotores aperceberam-se que o insuflável - colocado em cima de uma camada de espuma que está em contacto com o chão - "deslizava ligeiramente" e tinha de ser reposicionado.

"Numa rua não é preocupante, mas numa rampa a 18 metros de altura é completamente diferente", indicou Mário Ferreira.


A organização, com a colaboração da Câmara Municipal da Figueira da Foz, ainda tentou arranjar uma alternativa ao evento previsto para o areal da Figueira da Foz - anunciado a 18 de junho como o maior ‘beach slide' do mundo, duas pistas e 315 metros de comprimento que terminavam na praia - mas concluiu que a cidade não dispunha de uma via com as características necessárias.

Mário Ferreira adiantou que chegou a ser equacionada a opção da rua Alexandre Herculano - uma descida perpendicular à praia, entre a rua Joaquim Sotto Mayor e a avenida marginal, numa zona residencial - com um insuflável mais curto, com cerca de 240 metros, mas a hipótese acabou vetada pela Proteção Civil municipal e pela PSP.

"Não era a rua ideal, era a alternativa. Mas percebemos que a segurança dos moradores tem de prevalecer e não estavam reunidas as condições de segurança no caso em que fosse necessário uma evacuação [das casas] e para o fazer ali seria preciso fechar cinco ou seis ruas em redor", afirmou.

O promotor isentou ainda a autarquia da Figueira da Foz de "qualquer responsabilidade" no cancelamento do evento, destacando o seu "apoio inexcedível" na procura de alternativas: "foi uma decisão nossa, que assumimos e se foi cancelado é porque não havia mesmo forma de o realizar", reafirmou.

Ouvido pela Lusa, o vereador com o pelouro do Turismo, João Portugal, confirmou que o "City Water Slide' foi cancelado "por questões de segurança" e que a verba anunciada para concretizar - cerca de 125 mil euros - não incluía "qualquer investimento financeiro" por parte da Câmara Municipal.