Por: Cláudia Rosenbusch | 28-05-2008 13: 07
José Faria, testemunha chave no processo contra Avelino Ferreira Torres, admitiu esta manhã em julgamento que chegou a pagar do seu bolso «cinco mil contos» ao procurador da família Vahia, proprietária de vários terrenos em Marco de Canaveses, para que este intercedesse junto desta última com vista à aquisição de seis propriedades.
Além disso, teria ainda pago cerca de dois mil contos pelas deslocações ao Alentejo com o mesmo procurador para participarem em «caçadas».
Inquirido pela advogada de Assunção Aguiar, antiga chefe de gabinete do arguido e assistente no processo, Avelino explicou que a ordem do «senhor presidente» era inequívoca: «Faz o que for preciso para adquirir os terrenos».
A afirmação arrancou um sorriso rasgado por parte de Ferreira Torres, enquanto a advogada Luísa Loureiro insistia com a testemunha para que explicasse melhor as supostas luvas pagas.
«O senhor presidente sabe muito bem que foi ele quem me mandou comprar os terrenos». «Eu comprei aqueles terrenos porque ele mandou comprar ( . . .) porque ia haver revisão do Plano Director Municipal (PDM) e iria ser feita ali a futura zona industrial». Outros terrenos «iam fazer parte do perímetro urbano da cidade». Isto é, todos iriam valorizar-se.
«Disse-me que eu ia ficar bem na vida»
Em troca da ajuda como «testa-de-ferro» nos negócios, a testemunha recebia de Avelino a promessa de ajudas financeiras. «Disse-me que eu ia ficar bem na vida».
Como se explica que os terrenos tenham sido vendidos antes da alteração do PDM?
«Como explica que estes terrenos, depois de adquiridos, tenham sido vendidos antes da alteração do PDM, que ainda hoje não foi aprovado?», questionou a mesma advogada, ao que a testemunha respondeu «que o atraso na revisão do PDM foi alheio à autarquia».
«Devo zero às finanças»
Os negócios de terrenos em que funcionou como testa-de-ferro originaram uma dívida às Finanças de 13 mil contos, montante que a testemunha só conseguiu pagar, há cerca de um ano, com a ajuda de familiares e amigos.
«Pedi dinheiro há mais de um ano, e neste momento devo zero às Finanças», refere.
Ferreira Torres prometeu pagar
Questionado pela juíza sobre a identidade das pessoas que lhe emprestaram dinheiro e respectivos montantes que cada um desembolsou, José Faria identificou o familiar «José Manuel Carvalho», que emprestou dez mil contos (50 mil euros), bem como a irmã e primo da mulher que lhe entregaram um total de cinco mil contos (25 mil euros). «Tenho os montantes em dívida escritos num papel». E acrescentou: «Ainda não paguei. Quando puder, pago».
José Faria recordou ainda a frase de Ferreira Torres, quando em Agosto de 2005 o autarca tentou visitá-lo no Hospital, na sequência de uma tentativa de suicídio. «O senhor presidente disse alto para quem quisesse ouvir que ia dar ordens à Assunção Aguiar para pagar as dívidas às Finanças porque não queria que eu morresse».
O tribunal dedicou ainda parte da manhã a analisar os fluxos financeiros das contas de José Faria.
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