A população de Ferraria, Peso da Régua, queixou-se esta quinta-feira dos muitos prejuízos provocados pela chuva intensa que fez o ribeiro galgar o leito normal, arrastando dois carros, paralelos, muros, parte de um moinho, muito entulho e pedras que chegaram a bloquear a entrada da aldeia.

A chuva caiu com muita intensidade durante cerca de 15 a 20 minutos, na quarta-feira à noite. «Ficámos completamente isolados», afirmou Hermínio Dias, residente desta pequena aldeia, localizada no sopé da serra do Marão.

Por algumas horas ninguém entrou ou saiu da aldeia, mas ainda durante a noite uma máquina da câmara desobstruiu o acesso. «Foi tudo muito rápido. A chuva era tanta, tanta, que não se conseguia ver nada», acrescentou o morador.

Pela manhã os habitantes começaram a limpar os estragos deixados pelo mau tempo e a contabilizar os prejuízos, onde se incluem dois carros que estavam estacionados no largo da aldeia. «A água levou tudo à frente, não só a calçada, como os muros e o moinho (comunitário, que estava a ser recuperado pelos habitantes), foi tudo à vida», frisou Hermínio Dias.

Depois do grande incêndio que queimou mato e pinhal na serra do Marão, neste verão, Abel Dias, também residente de Ferraria, não se surpreendeu com esta enxurrada. «Não há vegetação para travar a água» afirmou.

«Deu-nos muitos prejuízos. Tínhamos ali cimento, blocos, areia e até roupa, foi tudo embora», sublinhou Maria Salete Dias que depois de ouvir «um grande barulho», foi espreitar à janela e viu a «rua cheia de água».

Os residentes de Ferraria pedem agora que sejam encontradas soluções para resolver o problema do curso de água, que ficou obstruído com o temporal.