O secretário-geral da Federação Nacional de Educação defendeu esta terça-feira que a prova de avaliação dos professores deve ser eliminada face ao número de entidades que a contestam e às quais se juntou segunda-feira o Conselho Científico.

Para João Dias da Silva, o Ministério da Educação deve agir perante «a multiplicidade de entidades, entre as quais a Federação nacional de Educação e o Conselho Científico do IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), cuja opinião vai no sentido de a prova dever ser eliminada e que não exista como elemento de seleção das pessoas para entrarem no sistema educativo».

O Conselho Científico defendeu, num parecer divulgado na segunda-feira, que a validade da prova de avaliação docente é «pouco fundamentada» e que só se justifica se o Ministério da Educação duvidar da qualidade da formação inicial.

Num parecer sobre a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC) dos professores, o Conselho Científico do organismo que coordena a aplicação da prova questiona a justificação para introduzir este exame entre a conclusão do curso superior e o período probatório de um ano, em que os professores são sujeitos a uma avaliação por parte de colegas mais graduados, ficando dependentes de uma avaliação igual ou superior a 'Bom' para poderem ingressar na carreira docente.

«Este parecer coincide com aquilo que a FNE sempre defendeu relativamente à contestação da existência da prova», sublinhou Dias da Silva, acrescentando que a federação sempre considerou que «a prova não fazia sentido» e «não acrescentava absolutamente nada (…) à garantia da qualidade da formação dos professores que entram no sistema educativo».

De acordo com o sindicalista, essa garantia de qualidade só é conseguida através de dois momentos de intervenção: «a formação inicial e o período de indução», durante o qual o novo professor é acompanhado por um mais experiente e com formação especializada.