O Governo vai eliminar as fases de combate aos incêndios florestais, na nova diretiva operacional a sair até ao final do ano. O anúncio foi feito hoje na Ericeira, Mafra, pelo ministro da Administração Interna.

"Na nova diretiva operacional que o Governo se comprometeu a apresentar até ao final do ano, um dos elementos novos é o desaparecimento de fases, porque, como dramaticamente vimos em 2017, as duas ocorrências de maior gravidade decorreram fora da chamada Fase Charlie [a mais crítica], uma em junho e outra em outubro”, disse Eduardo Cabrita.

Temos de ter uma presença muito significativa ao longo de todo o ano e sobretudo uma grande flexibilidade na resposta do dispositivo”.

Esta decisão foi tomada a dois dias de se completar seis meses desde o fogo de Pedrógão Grande. Depois dessa tragédia, a fase Charlie manteve-se como antes, até 30 de setembro, com redução de meios no terreno depois dessa data. A verdade é que ocorreu outra tragédia a 15 de outubro.

Antes dessa segunda tragédia, o Governo tinha decidido prolongar o período crítico do Sistema de Defesa da Floresta, que normalmente termina a 30 de setembro, precisamente até 15 de outubro.

Durante o período crítico de incêndios, é proibido, nos espaços florestais ou agrícolas, “fumar, fazer lume ou fogueiras, fazer queimas ou queimadas, lançar foguetes e balões de mecha acesa, fumigar ou desinfestar apiários, salvo se os fumigadores estiverem equipados com dispositivos de retenção de faúlhas, fazer circular tratores, máquinas e veículos de transporte pesados que não possuam extintor, sistema de retenção de fagulhas ou faíscas e tapa chamas nos tubos de escape ou chaminés”.

Na quinta-feira, o Governo autorizou em conselho de ministros 60 milhões euros para a contratação de 50 meios aéreos de combate a incêndios florestais para 2018 e 2019, mais nove aeronaves do que em anos anteriores, e o lançamento de um concurso público internacional para o efeito.