O vice-presidente da Confederação Nacional de Associações de Família (CNAF), Hugo Oliveira, afirmou esta quarta-feira que as medidas para a promoção da natalidade são «um incentivo» para as famílias poderem ter mais filhos, mas ainda deviam «ir mais além».

Para Hugo Oliveira, os primeiros passos estão a ser dados com este pacote de medidas, mas também é fundamental a criação de emprego.

«O emprego é um dos maiores incentivos à natalidade», porque permite que «as famílias olhem de forma diferente para aquilo que é a constituição da família e a possibilidade de terem mais filhos».

«Não podemos olhar para as famílias numerosas como minorias, temos de pensar é que podem vir a ser mais no futuro» e criar condições para que isso possa acontecer, defendeu.


Na opinião de Hugo Oliveira, as propostas de promoção da natalidade que vão ser discutidas esta quarta-feira na Assembleia da República «pecam por tardias», mas «são importantes» na medida em que irão «permitir às famílias dar um passo em frente na possibilidade de terem mais filhos».

«Esse é o incentivo, não é o suficiente, ainda deve ir mais além. No entanto, este pacote legislativo é favorável a que possa haver um incremento à natalidade no nosso país.»


Hugo Oliveira destacou a importância de algumas medidas como a possibilidade dos trabalhadores da Função Pública com filhos ou netos menores de 12 anos poderem trabalhar a tempo parcial e receberam 60% do ordenado e o alargamento do ensino pré-escolar.

Apontou também a redução do imposto automóvel para famílias numerosas e o alargamento do abono de família como «medidas importantes para as famílias portugueses numa fase de mudança cíclica», em que se está a «remar contra a crise».

Questionado sobre o facto de muitos trabalhadores não poderem prescindir de 40% do ordenado, Hugo Oliveira disse que há pessoas que realmente não o podem fazer, daí a importância de haver medidas diversificadas que possam beneficiar todas as famílias.

«Poderia dizer as medidas são iguais para todos, mas a sociedade não é totalmente igual», comentou o responsável, sublinhando que «uma medida poderá compensar a outra».

Deu o exemplo do caso da redução do imposto automóvel, explicando que «vai abranger um outro leque da população que optou por ter mais filhos e pode tê-los».