A manifestação do movimento «Que se lixe a Troika», convocada para esta tarde, foi cancelada em Castelo Branco face à falta de adesão da população, disse à agência Lusa um dos organizadores do protesto.

Manuel Costa Alves explicou que «antes do 25 de Abril dava-se o peito às balas. Havia a PIDE, mas os que acreditavam, lutavam pelos seus ideais. Mas hoje, em democracia, impera o medo, sobretudo o medo de represálias que levam à perda do emprego».

A convocatória foi feita via «Facebook», num movimento criado por um grupo de cidadãos, mas dos 1.643 convites enviados, apenas 49 confirmaram a sua participação, enquanto 50 se ficaram pelo talvez.

«Gostaríamos que as pessoas contactadas que não aderiram nos tivessem confrontado, não com o silêncio, mas com uma explicação das razões por que ficaram indiferentes a uma demonstração que pretendíamos inovadora, associando-lhe intervenções de várias artes», escreveu o movimento no «Facebook», na explicação de desconvocação do evento.

Manuel Costa Alves esclareceu que esta manifestação «não seria um mero desfile. As pessoas participariam, mas ao longo do percurso haveria diversas manifestações culturais. Podiam assistir a um «sketch» teatral aqui, ouvir um poema mais à frente, noutro local ouvir uma música, logo, não seria nunca um mero desfile».

Mas, «nem mesmo a camada intelectual da cidade respondeu», lamentou.

«Há tanta gente a «gritar» a sua indignação nos seus murais do «Facebook», mas depois, quando se lhe pede um gesto como este não respondem», disse.

A cidade acordou, no entanto, com algumas faixas negras com a palavra «Basta», quer no centro da cidade, quer no seu ponto mais alto, o castelo.

«Isso já é um sinal positivo, uma forma de luta. É a história a dizer-nos, através do Castelo, que basta», mas só isto «não basta», continuou.