O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável pela coordenação da prova de inglês do 9.º ano, atribuiu esta sexta-feira as responsabilidades à escola Nuno Gonçalves, em Lisboa, pelo atraso na divulgação da classificação no exame de uma das suas alunas.

Os resultados do exame de inglês do 9.º ano são ainda desconhecidos para alguns alunos cujas notas não foram afixadas nas pautas da sua turma, situação confirmada pelo IAVE que, em resposta às escolas, atribui responsabilidades ao Cambridge Institute, de acordo com relatos de encarregados de educação de alunos envolvidos.

Ana Ferreira, mãe de uma aluna do 9.º ano que fez a prova de diagnóstico de inglês, criada pelo Cambridge Institute, realizada pela primeira vez este ano nas escolas, está há uma semana a tentar obter respostas para a ausência do nome e da nota da sua filha, nas pautas de inglês da turma da jovem, que frequenta a Escola Básica Nuno Gonçalves, em Lisboa.

Quando se dirigiu à escola para ver os resultados da filha afixados nas pautas, Ana Ferreira verificou que o nome da filha não estava na lista e que o mesmo se passava com dois colegas seus. Dirigiu-se à secretaria, mais tarde à direção da escola e só aí, depois de a equipa diretiva ter entrado em contacto com o IAVE, soube que nenhum dos nomes destes três alunos consta da lista de exames feitos, atribuindo responsabilidades ao Cambridge Institute.

Ana Ferreira diz que a escola tem contactado diariamente o IAVE, insistindo na resolução da situação, e que ela própria já ligou, tendo também obtido como resposta que o nome da filha não era encontrado nos registos.

Na sequência da divulgação deste caso, o IAVE vem agora afirmar que a situação do atraso da divulgação da nota da aluna em questão «foi gerada pela entrega fora do prazo limite, por parte da direção da escola, das folhas de resposta da componente específica da avaliação da produção oral (speaking)».

«Essa entrega só se verificou no passado dia 17 de julho, condicionando, assim, a divulgação do resultado da aluna e de outros colegas, cujos registos o IAVE desconhecia», lê-se num comunicado divulgado na página na Internet do IAVE que a Lusa faz menção.

No comunicado, o IAVE sublinha que o facto de ter sido a primeira vez que a prova foi aplicada nas escolas, e por incluir procedimentos não utilizados nos exames nacionais, como a classificação desmaterializada das provas, «originou constrangimentos pontuais, uns da responsabilidade das escolas, outros do próprio IAVE», ao longo do processo.

O IAVE refere ainda que a análise manual dos casos anómalos, pela equipa criada para o efeito, é «um processo moroso, pelo que o apuramento dos respetivos resultados não pode ser imediato».

«No entanto, reitera-se que todas as ocorrências que ainda afetam a libertação de alguns resultados serão superadas e que, após a análise e avaliação dos casos pendentes, todos os encarregados de educação terão acesso aos resultados dos seus educandos», conclui o comunicado.

Continua ainda por esclarecer quantos casos de atrasos na divulgação de notas estão a ser analisados pelo IAVE, que continua a garantir um desfecho breve para a situação, sem divulgar também quais as causas dos casos em apreciação, tendo-o feito apenas para a situação denunciada na escola básica de Lisboa.

A divulgação das notas do exame foi adiada por duas vezes, tendo apenas acontecido a 11 de julho, de uma perspetiva nacional, e só a 15 de julho foram afixadas as pautas nas escolas, com os resultados por aluno.

Mais de 121 mil alunos realizaram, no final de abril, o teste de diagnóstico concebido pelo Cambridge English Language Assessment, organismo que pertence à Universidade de Cambridge, obrigatório para todos os alunos do 9.º ano.