Um estudo envolvendo uma cientista portuguesa concluiu que em todas as cidades europeias haverá um aumento das condições de seca, particularmente na região sul, e de inundações, sobretudo no noroeste, e agravamento das ondas de calor.

Uma equipa de investigadores da universidade britânica de Newcastle, da qual faz parte Selma Guerreiro, especialista em hidrologia e alterações climáticas, analisou pela primeira vez mudanças no impacto de cheias, secas e ondas de calor em todas as cidades europeias utilizando modelos climáticos.

Lisboa está no ‘top’ das capitais com um aumento da frequência e magnitude de episódios de seca.

Para Braga e Barcelos é estimado um acréscimo de mais de 80% no pico dos fluxos dos rios.

Segundo o estudo, publicado esta semana na revista científica Environmental Research Letters, o impacto de cheias, secas e ondas de calor excederá no período 2050-2100 as previsões anteriores, refere a universidade britânica em comunicado divulgado na sua página na internet.

Os cientistas usaram projeções de todos os modelos climáticos disponíveis, associadas a um aumento global da temperatura entre 2,6ºC e 4,8ºC (decorrente de altas emissões de gases com efeito de estufa), e estabeleceram três cenários de impacto (baixo, médio e alto).

Mesmo no cenário mais otimista (baixo impacto) todas as cidades europeias terão um aumento do número de dias de onda de calor e do valor da temperatura máxima.

No período 2051-2100, para o cenário menos pessimista, cidades espanholas como Málaga e Almería terão mais do dobro dos episódios de seca registados em 1951-2000.

No cenário mais pessimista, 98% das cidades europeias terão situações de seca mais graves e cidades da região sul poderão sofrer secas 14 vezes piores.

Face aos resultados obtidos, a investigação realça a necessidade urgente de projetar e adaptar as cidades para as condições meteorológicas futuras.

Cidades do sul da Europa terão, de acordo com o estudo, o maior aumento no número de dias de ondas de calor, enquanto as cidades da Europa central a maior subida de valores da temperatura máxima, entre 2ºC e 7ºC, para o cenário mais otimista, e entre 8ºC e 14ºC, para o cenário mais pessimista.

Estocolmo e Roma terão o maior aumento no número de dias de ondas de calor, enquanto Praga e Viena o maior aumento nas temperaturas máximas nas ondas de calor.

O estudo concluiu que, num cenário menos pessimista, as condições de seca só se intensificam em cidades do sul da Europa, ao passo que as cheias só pioram na região noroeste.

Lisboa e Madrid figuram na lista das principais capitais europeias com um aumento estimado da frequência e magnitude dos episódios de seca, enquanto Atenas, Nicósia, Valetta e Sofia poderão ter os piores aumentos de ondas de calor e seca.

No cenário mais grave, em diversas cidades, incluindo Braga e Barcelos, haverá um aumento de mais de 80% no pico do fluxo dos rios.

As cidades de Dublin, Helsínquia, Riga, Zagreb e Vilnius são, entre as capitais europeias, as que poderão ter uma subida mais acentuada do período de cheias.