Os índices de natalidade da União Europeia (UE) caíram nos últimos anos em relação direta com o aumento do desemprego, especialmente nos países mais castigados pela crise, segundo um estudo do Instituto Max Planck.

De acordo com a análise desta instituição alemã, difundida hoje em Rostock (noroeste do país), os países mais afetados são os do sul, como Espanha, Portugal e Croácia, assim como Hungria, no centro, e Irlanda e Letónia, no norte e leste relativamente.

Segundo um gráfico, publicado pelo Instituto, Portugal em 2001 apresentava 1,42 de nascimentos por mulher, descendo de forma gradual para os 1,3 em 2009.

Os europeus mais afetados são os jovens até aos 25 anos, devido à elevada taxa de desemprego.

«Os jovens acham mais fácil adiar a decisão de formar uma família», disse Michaela Kreyenfeld, especialista em demografia no Instituto Max Planck, de acordo com um texto divulgado pela entidade.

O estudo fundamenta-se na evolução dos últimos dez anos e reflete uma progressão ascendente, devido aos efeitos da crise económica, segundo os cientistas do Instituto.

De acordo com estimativas dos especialistas, um aumento de 1% na taxa de desemprego é equivalente a um declínio de 0,1% na taxa de natalidade total da UE, mas o número sobe para 0,3% nos países do sul.

No caso de Espanha, há uma tendência clara de inversão, em relação ao que se tinha registado noutros anos.

No início do século XXI, a natalidade espanhola situava-se nos 1,24 filhos por mulher, subindo gradualmente para os 1,47 em 2008.

No ano seguinte, caiu para 1,4, enquanto em 2011 eram 1,36 filhos por mulher.

O estudo relaciona esta evolução com o aumento da taxa de desemprego, que subiu para 11,3% em 2009 na Europa.

«A crise financeira coincidiu com uma fase lenta de recuperação das taxas de natalidade em muitos países», referiu Kreyenfel, num texto publicado pelo Instituto Max Planck.

Segundo o estudo, as baixas taxas de natalidade dos anos anteriores começou a subir, mas as consequências da crise inverteram essa tendência.

O estudo não descarta novas quedas se a situação atual persistir.

A análise foi realizada por Kreyenfeld, Joshua Golstein e Aiva Jasilioniene, do Instituto Max Plank de Rostock, assim como Deniz Karaman Örsal, da Universidade de Lüneburg (norte).

A Sociedade de Max Planck, com sede na Alemanha e vencedora do último Prémio Príncipe das Astúrias para a Cooperação Internacional, é composta por mais de oitenta institutos de investigação.

Esta instituição publica anualmente mais de 1.500 referências nas principais revistas científicas.