Um estudo recente publicado na revista científica Geophysical Research Letters explica a possível correlação entre a diminuição da velocidade de rotação da Terra e o progressivo aumento do número de terramotos. A pesquisa feita por Rebecca Bendick, da Universidade de Montana, e de Roger Bilham, da Universidade do Colorado, propõe uma abordagem diferente para entender estes fenómenos naturais, sugerindo que, em 2018, podem ocorrer mais e de maiores dimensões.

Quando a Terra gira mais lentamente em torno do seu eixo, a volta completa demora mais tempo, o que faz com que o dia tenha um pouco mais que 24 horas. Os microssegundos que resultam desse ligeiro atraso podem estar na origem dos terramotos, como sugere o estudo apresentado no encontro anual da Geological Society of America, nos Estados Unidos.

No entanto, seriam necessários cinco anos para o efeito desse fenómeno ser sentido. Como a Terra começou a atrasar o movimento de rotação em 2012/2013, os cientistas esperam que o próximo pico de terramotos seja em 2018.

“Nós não podemos prever a desaceleração ou a aceleração na rotação da Terra, mas podemos detetá-la através de observações astronómicas e relógios atómicos. Se a nossa hipótese estiver correta, isto pode ser capaz de nos alertar sobre o aumento no número de terramotos cinco anos antes de acontecerem”, explicou Rebecca Bendick à BBC Brasil.

Apesar dos resultados da pesquisa, a geóloga coloca ênfase no facto de esta ser uma hipótese, uma vez que não existe prova científica de que os dois fenómenos estejam relacionados.

O estudo foi feito tendo em conta registos histórico de grandes terramotos desde 1900. A cada 30 anos, identificaram-se os picos de atividade sísmica em 1910, 1943, 1970 e 1998, prevendo-se o próximo para 2018. Posteriormente, os investigadores procuraram saber que outros fenómenos ocorriam numa periodicidade semelhante, chegando à desaceleração do movimento de rotação da Terra. Contudo, a razão por que tal acontece ainda não é conhecida.

“Quando comparámos as duas séries temporais vimos que estavam correlacionadas”, declarou Bendick à BBC Brasil.

Com este estudo, os investigadores esperam que a janela de antecipação de cinco anos ajude a minimizar o impacto dos terramotos.