O secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme W. d’Oliveira Martins, disse esta terça-feira que o Governo está "atento" a situações idênticas às que provocaram um aluimento na A14, enfatizando a responsabilidade das concessionárias em casos análogos.

Em declarações aos jornalistas numa visita à zona de Maiorca, Figueira da Foz, onde no fim de semana um aluimento de terras cortou a ligação automóvel por autoestrada entre aquela cidade e Montemor-o-Velho, Guilherme de Oliveira Martins disse que o caso da A14 "é um alerta para futuras situações não voltarem a suceder".

A Brisa tem de estar mais atenta, nós também vamos estar mais atentos para que não voltem a suceder", afirmou o secretário de Estado.

Questionado sobre se o Governo vai fazer uma vistoria a nível nacional a eventuais situações idênticas, o governante não respondeu, alegando apenas que as vistorias "são feitas" e "há uma fiscalização atenta".

Há estradas que são do Estado e outras concessionadas. Evidentemente que as concessionárias também têm obrigações no âmbito dos seus contratos", sustentou, alegando que o Governo espera que "não haja problemas" nas vias sob responsabilidade estatal.

Os episódios que detetámos ao longo dos anos são poucos, contamos que não existam mais", frisou.

Sobre o caso específico da A14, em que o colapso de tubagens de uma passagem hidráulica levou ao aluimento na autoestrada, Guilherme W. d’Oliveira Martins frisou que a zona do incidente "tem algumas particularidades geológicas" mas não respondeu à pergunta do porquê de ser preciso a estrada cair para ser intervencionada.

Isto sucedeu numa altura em que não estaríamos à espera mas a solução está encontrada e o importante é que consigamos minimizar isto da melhor forma", afirmou apenas.

Na ocasião, o secretário de Estado estimou a duração da intervenção na A14 em sete a nove semanas (mais de dois meses), um prazo mais dilatado do que aquele que tem vindo a ser anunciado pela concessionária Brisa, que aponta a duração da obra em seis a sete semanas, pouco mais de mês e meio.

Sobre a ponte militar que deverá começar a ser instalada na quarta-feira entre a A14 e a EN 111, o governante classificou-a de "solução equilibrada" e "transitória" para ajudar a resolver os constrangimentos de trânsito nos acessos à Figueira da Foz.

A ponte terá 55 metros de comprimento, 40 metros de vão e 4,5 metros de largura e será instalada entre a A14 e a EN 111, por cima da chamada Vala Real, junto ao nó da autoestrada em Santa Eulália. A estrutura militar como que recupera o anterior percurso daquela estrada nacional, existente naquele local antes da construção, em 1994, do IP3 (hoje A14).

O governante explicou que o tráfego na ponte militar será realizado de forma alternada, com reforço da sinalização, nomeadamente através de semáforos.

Vai garantir que num curto espaço de tempo que o trânsito consiga fluir da melhor forma", frisou.

Já o presidente da Câmara da Figueira da Foz, João Ataíde, disse que com a ponte militar a autarquia pode continuar as obras de uma ponte em betão na EN 111, intervenção que impede a circulação naquela estrada, na zona das pontes de Maiorca, via que seria uma alternativa natural face ao encerramento da A14.

Facilita, porque evita o cruzamento de Quinhendros [em Montemor-o-Velho, por onde passa o atual percurso alternativo] e permite uma fluência de tráfego", frisou.

João Ataíde admitiu que o quotidiano das populações de Santo Amaro da Boiça e Maiorca "está a ser gravemente prejudicado" com o desvio de trânsito de e para Coimbra que passa no interior daquelas localidades e disse esperar que no prazo de nove dias a ponte militar esteja concluída.