A Associação Nacional de Guardas (ANAG) acusou hoje a ministra da Administração Interna de ter enganado os militares da GNR, com a falta de aprovação do estatuto da Guarda Nacional Republicana.

"A ANAG considera que a senhora ministra faltou à verdade e enganou os militares da GNR (...), fazendo crer que o Estatuto dos Militares da GNR poderia ser aprovado na atual legislatura, tal como sucedeu com o estatuto da PSP", refere a direção da estrutura sindical em comunicado.


O Governo aprovou hoje o novo estatuto profissional da polícia, com a ministra Anabela Rodrigues a invocar, no final da reunião de Conselho de Ministros, a falta de condições durante o processo legislativo para o estatuto da GNR ficar concluído e ser aprovado.

O ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Marques Guedes, alegou, por sua vez, que há matérias no estatuto da GNR que têm de se adaptar ao Estatuto Militar das Forças Armadas, recentemente revisto, uma vez que a GNR é uma força de segurança militar.

À Lusa, o presidente da ANAG, Virgílio Ministro apontou ao Governo, além da "falta de consideração para com os militares da GNR", a "cedência a pressões dos generais das Forças Armadas que fazem comissões de serviço na GNR".

Segundo Virgílio Ministro, as Forças Armadas têm "generais a mais", para quem "a GNR é um paraíso".

"Não sendo um estatuto ideal, cedemos" nas negociações com a ministra da Administração Interna, afirmou, assinalando que a GNR continua "sem horário de trabalho de referência".


A ANAG, que se reúne no sábado, em local a designar, é uma das quatro associações sindicais da GNR que têm agendado várias ações de protesto contra a ausência de aprovação do estatuto, nomeadamente uma manifestação para o último dia da campanha eleitoral das legislativas, a 02 de outubro.

As quatro estruturas, que voltam a reunir-se na próxima semana, em data a anunciar, para decidir eventuais novas formas de luta, prometeram na segunda-feira realizar diversos protestos em vários momentos e locais durante a campanha eleitoral, inclusivamente em sítios próximos dos eventos políticos onde esteja a coligação que sustenta o Governo (PSD/CDS-PP).

As associações sindicais apelaram aos militares para que optem, sempre que possível, pela prevenção e pedagogia, o que implica passarem menos multas.