O ginecologista e professor universitário Agostinho Almeida Santos, antigo presidente dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), afirmou este sábado que a empresarialização dos hospitais pode levar à ruptura financeira Serviço Nacional de Saúde (SNS), noticia a agência Lusa.

“Não acredito no actual sistema de gestão empresarial dos hospitais. É uma falsa medida porque o que se pretende é encobrir o défice», disse à agência noticiosa o catedrático de ginecologia, que segunda feira passa à situação de aposentado ao fim de 46 anos de carreira, universitária e hospitalar.

Recorde-se que a transformação dos HUC em Entidade Pública Empresarial (EPE) esteve na origem da demissão de Agostinho de Almeida Santos de presidente do conselho de administração daquela unidade há cerca de dois anos.

«Eu não aceitei a assinatura do contrato programa com o ministério, o que resultou num homicídio político, porque entendia que as verbas não eram suficientes para a qualidade dos HUC», disse o ginecologista.

Segundo o médico, «a qualidade de gestão das EPE é adulterada pela circunstância de que o gestor nunca é recriminado por má gestão» quando, actualmente, existe cerca de «25 por cento de desperdício». «Eu tive a honra de equilibrar as contas dos HUC entre 2005 e 2007», sublinhou.