Cerca de centena e meia de pessoas participaram este sábado na 8ª Marcha do Orgulho LGBT, no Porto, para «dar visibilidade a esta causa» e lembrar que é nas «alturas de austeridade que os direitos humanos mais caem para segundo plano».

«O nosso tema é anti-austeridade e o nosso lema este ano é forte: dão-nos luta ao corpo, nós damos o corpo à luta. Estamos aqui, mais um ano, para dar o nosso corpo à luta», disse a porta-voz da marcha, Paula Antunes.

Questionada sobre a fraca adesão à iniciativa, Paula Antunes disse que «as pessoas têm receio de vir à marcha ou então não vêm porque esta não é a sua forma de vivenciar o seu ativismo e de lutar contra a discriminação».

João Paulo, também membro da organização da marcha e fundador do PortugalGay.pt, afirmou, a este propósito, que continua a ter colegas que «são penalizados todos os dias».

«Nestas alturas de austeridade, de crise económica e de falta de emprego, a primeira pessoa a ser despedida é o homossexual, depois será a mulher, que fica bem atrás do fogão, e depois será o marido. Esta cadência não pode existir, as pessoas deveriam ser dispensadas ou não consoante as suas competências e não consoante a cor da pele ou o género», disse.

Segundo o ativista, esta marcha do Orgulho LGBT serve para chamar a atenção para essa realidade e para afirmar que «o orgulho é o orgulho de estar vivo numa sociedade heterossexista e machista» e para lembrar que «a sociedade é multicolor e multissexual e que, quando pensamos uma lei, não lhe devemos por nome». «As leis são para as pessoas», acrescentou.

Os participantes na marcha concentraram-se na Praça da República e desfilaram depois por várias ruas da cidade até à Avenida dos Aliados para se juntarem à manifestação organizada pelo Movimento «Que Se Lixe a Troika» para exigir a queda do Governo, sob o lema «Demissão! Eleições Já!».