O Tribunal da Relação de Guimarães autorizou hoje a extradição de dois espanhóis, procurados pelo sequestro em Espanha de uma criança de seis anos, filha da mulher daquele casal, detido esta semana pela GNR no Alto Minho.

A informação foi confirmada à agência Lusa por fonte ligada à investigação, acrescentando que por determinação daquele tribunal, competente em matéria de extradição, ambos já foram encaminhados para um estabelecimento de retenção temporária no Porto.

«A extradição para Espanha é uma questão apenas logística», disse a mesma fonte.

A GNR deteve na segunda-feira este casal de espanhóis, depois de a mulher ter tentado abandonar um filho recém-nascido no hospital de Viana do Castelo. Durante a operação foi ainda retirada a guarda de mais três crianças, da mesma mãe.

Fonte daquela força explicou que a detenção dos dois suspeitos - um homem de 26 anos e uma mulher de 27 - foi concretizada «em flagrante delito», por militares da GNR, em Paredes de Coura e em Moledo, no concelho de Caminha.

A investigação foi desencadeada por uma denúncia anónima enviada para a GNR de Vila Praia de Âncora (Caminha), «dando conta de uma situação burlesca de tentativa de abandono de um recém-nascido», após parto, no hospital de Viana do Castelo.

«A parturiente era precisamente a suspeita, que desejava abandonar o referido estabelecimento hospitalar, mesmo sem alta médica, porquanto se fazia identificar sob identidade falsa», explicou a mesma fonte.

Os dois suspeitos viviam em união de facto há mais de um ano, são ambos de nacionalidade espanhola e têm residência conhecida na região das Astúrias, Espanha.

A GNR acabaria por confirmar, no decurso da investigação, que tinham pendente um mandado de detenção internacional, emitido pela Interpol, pela alegada autoria de um crime de sequestro, em julho de 2013, de menina de seis anos. Trata-se da filha da detida, fruto de uma relação anterior, a quem tinha sido retirada a sua tutela por decisão de um tribunal espanhol.

«A criança sequestrada, bem como dois irmãos desta [gémeos, com cerca de um ano], foram entregues aos cuidados de uma entidade indicada pela comissão de proteção de crianças e jovens em risco», indicou ainda a GNR.

O recém-nascido, com quatro dias, permanece internado no hospital de Viana do Castelo.

A guarda dos quatro menores será decidida posteriormente pelo Tribunal de Caminha, no âmbito dos respetivos processos de promoção da defesa das crianças, entretanto instaurados pelo Ministério Público.

O homem já tinha sido condenado em Espanha pelos crimes de sequestro, roubo e burla e a mulher por homicídio.