Morreu o escritor Urbano Tavares Rodrigues. O escritor, que fazia 90 anos em Dezembro, era autor de diversos romances, de que se destaca «Uma pedrada no charco». O último romance, «Escutando o rumor da vida seguido de solidão em brasa», foi publicado há cerca de um ano.

Urabano Tavares Rodrigues escreveu ainda em vários jornais e revistas de renome nacional e internacional, como «Bulletin des Études Portugaises», «Colóquio-Letras», «Jornal de Letras», «Vértice» e «Nouvel Ovservateur». Foi ainda diretor da revista «Europa» e crítico de teatro nos jornais «O Século» e «Diário de Lisboa».

Oriundo de uma família de proprietários alentejanos, Tavares Rodrigues era filho do escritor Urbano Rodrigues, que venceu em 1948 o Prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa, pela obra «O Castigo de D. João».

Urbano Tavares Rodrigues recebeu este mesmo galardão, dez anos depois, com «Uma Pedrada no Charco».

Urbano Tavares Rodrigues, por razões políticas, foi impedido de lecionar em Portugal, tendo-se exilado no estrangeiro. Desempenhou, entre outras funções, as de leitor de português nas universidades francesas de Montpellier, Aix e na Sorbonne, em Paris.

Após o 25 de Abril de 1974, que instaurou a liberdade de expressão e a democracia em Portugal, regressou ao país. Em 1984 doutorou-se em Literatura, com uma tese sobre a obra de Manuel Teixeira Gomes. Em 1993 jubilou-se como professor catedrático.

Desempenhou também funções docentes na Universidade Autónoma de Lisboa e foi membro das Academias de Ciências de Lisboa e Brasileira de Letras.