A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) considera que este ano está a acontecer «tudo o que não se deseja para o bom funcionamento das escolas» e que «milhares de horas letivas» já foram desperdiçadas, lembrando que são já « três semanas de alunos sem aulas». 

Em declarações à Agência Lusa o presidente da Confap, Jorge Ascensão, comentava assim a polémica sobre a colocação de professores do concurso da bolsa de contratação.

As listas com a ordenação dos candidatos à bolsa de contratação tinham erros, uma situação que levou à demissão do antigo diretor-geral da Administração Escolar. Por causa desses erros milhares de alunos continuam até agora sem aulas.

Esta sexta-feira vários agrupamentos de escolas receberam orientações do Ministério da Educação para anularem as colocações de professores do concurso da bolsa de contratação, uma orientação da tutela horas antes da divulgação das novas listas.

«Deu-se um nó com este processo que é complicado de desatar», disse Jorge Ascensão, acrescentando que vai haver situações de mudança de professores, «o que tem sempre algum impacto na aprendizagem».

Afirmando que todo este processo tem «um impacto negativo junto dos professores, das famílias e dos jovens» o responsável acrescentou que espera agora que «seja qual for a solução que seja a melhor possível e que seja célere».

«Será desejável, e é nisso que temos insistido, que se encontre uma solução estável para o futuro», disse Jorge Ascensão, salientando que espera que «pelo menos haja a lucidez» de evitar danos no futuro, porque neste ano letivo «os danos já estão criados».

«São três semanas de alunos sem aulas. É mau de mais para ser verdade», é preciso «olhar seriamente para o sistema educativo e tentar que funcione o melhor possível, para não hipotecar consecutivamente o país», disse.

O ministério da Educação anulou as colocações de professores da Bolsa de Contratação, cujos resultados foram conhecidos 12 de setembro. A ordem chegou esta manhã às escolas e já esta tarde o ministério enviou às redações um comunicado em que dava conta de que as escolas iriam divulgar «as listas definitivas de ordenação da Bolsa de Contratação de Escola (BCE).» A medida levou já a que algumas escolas fiquem sem aulas.

As listas foram divulgadas pelas 14:00 e o Ministério já veio esclarecer que para resolver o erro tinha de revogar as listas anteriores e divulgar novas. O Governo afirma ainda que a medida atinge mais de 800 professores e que só metade dos professores ficam colocados noutra escola. Ainda assim, na maioria dos casos, os docentes são recolocados nas escolas que escolheram.