Cerca de uma centena de pessoas concentrou-se esta quinta-feira junto ao Ministério da Educação, em Lisboa, em protesto contra o encerramento de escolas do primeiro ciclo, a maior parte de zonas do interior do país.

Em causa está a medida anunciada pelo Governo, em junho, de encerrar 311 escolas do 1.º ciclo do Ensino Básico e integrá-las em centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino, no âmbito do processo de reorganização da rede escolar.

Esta manhã, pais, professores e autarcas concentraram-se junto ao Ministério da Educação a fim de alertar para as consequências negativas que o encerramento destas escolas poderá ter para as zonas mais rurais do país.

Nesse sentido, em declarações à agência Lusa, José Maria Alves, do Centro Social e Cultural de Fermelã, Estarreja, um dos concelhos afetados por esta medida, apontou para a «destruturação das comunidades e para o agravamento da desertificação».

«Numa freguesia (Fermelã) deprimida fechar tudo o que é serviço, não há quem resista», sublinhou.

Segundo José Maria Alves, no concelho de Estarreja, à qual pertence a freguesia da Fermelã, está previsto o encerramento de três escolas.

Presente nesta ação de protesto esteve também o secretário-geral da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, que classificou o encerramento de escolas como um «massacre», criticando o facto de a decisão estar a ser tomada à «revelia das populações».

«A questão aqui não é se há escolas que devem fechar ou não, porque é evidente de que há escolas que fazem sentido fechar. O problema aqui é que isto não é algo que se meça pelo número de alunos. Tem de se medir por outros critérios», defendeu.

Segundo a listagem divulgada pelo Ministério, o distrito de Viseu é aquele onde vão encerrar mais escolas, um total de 57, nos concelhos de Cinfães (nove), S. Pedro do Sul (oito), Tondela (sete), Viseu e Moimenta da Beira (seis), Nelas e Oliveira de Frades (quatro), Vouzela (três), Sernancelhe, Tabuaço, Mangualde e Vila Nova de Paiva (duas) e Castro Daire e Sátão (uma).

Entre os distritos mais atingidos pelos encerramentos estão também Aveiro e Porto, com 49 e 41 escolas a fechar em 2014-2015, respetivamente, de acordo com a lista de encerramentos divulgada pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC).