A Câmara de Góis apresentou uma providência cautelar, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra (TAFC), contra o encerramento de uma escola básica do concelho com 24 alunos, disse esta sexta-feira a presidente da autarquia.

Lurdes Castanheira disse à agência Lusa que o executivo municipal decidiu por unanimidade, na sua última reunião, interpor esta providência com o objetivo de impedir a extinção da Escola Básica 1 da Ponte do Sótão e «defender os interesses das populações».

A autarca socialista realçou que o Ministério da Educação e Ciência (MEC), através da direção de serviços do Centro da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE), decidiu fechar a Escola Básica, que tem 24 alunos, mantendo ao mesmo tempo o Jardim de Infância da Ponte do Sótão, que acolhe apenas seis crianças.

«Podíamos ter chegado a um entendimento, mas nem nos deixaram apresentar a nossa proposta», acrescentou, explicando que, em resposta a um pedido de audiência da Câmara de Góis, o secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova de Almeida, incumbiu a responsável regional da DGEstE, Cristina Oliveira, «de promover essa reunião, que nunca chegou a realizar-se».

Para o município, «é muito mais difícil transportar os 24 alunos» da Escola da Ponte Sótão, do que as seis crianças que frequentam o Jardim de Infância, segundo Lurdes Castanheira, cujo executivo preferia o encerramento deste estabelecimento, mantendo o outro.

Em comunicado, a Câmara de Góis afirma que «não pode aceitar tal termo, uma vez que a própria diretriz, no que ao número de alunos diz respeito, está a ser cumprida. São 24 crianças, uma delas com necessidades educativas especiais».

Caso a decisão do MEC não seja alterada, a Câmara Municipal será obrigada a comprar pelo menos um pequeno autocarro, que custa 65 mil euros, um investimento que «terá dificuldade em suportar», num ano em que o seu orçamento é inferior a nove milhões de euros, de acordo com Lurdes Castanheira.

«O concelho é bastante disperso, o que vai igualmente obrigar a um esforço suplementar no que à rotina familiar diz respeito. Tal cenário poderá mesmo colocar em causa o próprio sucesso escolar¿, segundo a nota da autarquia, alertando que ¿falta sensatez, coerência, equilíbrio e bom entendimento» na decisão de fechar a Escola da Ponte do Sótão, contestada pela autarquia, direção do Agrupamento de Escolas de Góis, pais e encarregados de educação, como reporta a Lusa.