O Estado vai ter de pagar parcialmente a edição deste ano da prova de inglês, uma vez que a receita obtida com os pedidos de certificado de alunos não garante a totalidade do financiamento, adiantou esta quarta-feira a tutela.

A prova de diagnóstico de inglês do 9.º ano de escolaridade, elaborada pela Universidade de Cambridge, e com aplicação nas escolas coordenadas pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), tinha na sua génese um pressuposto de financiamento privado, a cargo das receitas obtidas pelos certificados de proficiência linguística pedidos pelos alunos e, sempre que isso fosse insuficiente, pelos patrocinadores do projeto.

Inicialmente associaram-se à introdução desta prova em Portugal o BPI, a Connexall®, a Fundação Bissaya Barreto, a Novabase e a Porto Editora. Dos parceiros iniciais já só restam o BPI e a Porto Editora.

“Os parceiros entram e saem de livre vontade. Consideraram que tinham feito o seu contributo, que tinham feito o seu papel, que entraram no projeto. E sempre defendi, não obstante apreciar o papel dos parceiros, as entidades são livres de querer apoiar ou não os projetos”, disse hoje o presidente do IAVE, Hélder Sousa, no final da apresentação dos resultados deste ano do Preliminary English Test (PET), que decorreu esta manhã em Lisboa.


A juntar-se à saída dos parceiros há o número de certificados emitidos, com pedidos muito inferiores ao número de inscritos na prova.

Dos mais de 85 mil alunos que fizeram o teste, apenas 19 mil pediram um certificado de Cambridge, 14 mil dos quais alunos do 9.º ano de escolaridade. Segundo dados hoje apresentados, 22 mil alunos tiveram resultados passíveis de lhes serem atribuídos certificados, mas não foram feitos pedidos nesse sentido.

Os certificados têm um custo de 25 euros por aluno, podendo esse custo ser reduzido para metade ou ser eliminado se os alunos forem apoiados pela ação social escolar.

Hélder Sousa admitiu que com estes valores não é possível financiar o projeto do PET sem recurso a fundos do Estado.

Este ano provavelmente vamos chegar a um momento em que vamos ter que também ter algum contributo. Não sabemos ainda quanto. Podemos nós no nosso orçamento ter essa preocupação, mas isso está previsto, mas não é uma questão que nos preocupe”, disse.


A gratuitidade da introdução do exame de Cambridge nas escolas portuguesas com recursos a patrocinadores e receitas próprias foi desde o início um dos aspetos enfatizados pelo ministro Nuno Crato, sublinhando que não teria qualquer custo para Ministério da Educação ou para o erário público.

Hélder Sousa defendeu hoje que “eventualmente” será necessário “repensar a filosofia de abordagem” deste exame, classificando-o como um “investimento que vale a pena fazer pelo retorno que traz”.

“É também importante começar nos anos mais próximos a admitir que essa é uma responsabilidade do Estado, e aquilo que pode ser o investimento que é feito neste teste vai criar um retorno que é ‘n’ vezes superior àquele que é preciso fazer”, disse, referindo que em termos económicos, uma certificação como a de Cambridge posiciona o país num patamar diferente aos olhos dos agentes económicos internacionais.


“Se nós conseguirmos chegar a um nível em que a esmagadora maioria dos nossos alunos tem uma certificação reconhecida internacionalmente, tudo quanto é agente económico internacional que olha para o nosso país caracteriza os recursos humanos de uma perspetiva completamente diferente”, afirmou.