Talvez nunca tenha ouvido falar dela, como talvez nunca tenha dado importância aos seus sintomas, atribuindo o arroxeado dos dedos ao frio no inverno, mas a esclerodermia é uma doença reumática crónica que afeta o tecido fibroso, quer na pele quer em órgãos internos do corpo. E que importa identificar e “travar a tempo”, ainda que sem alarmes, já que é também uma doença rara.
 
Segundo o reumatologista António Vilar, em entrevista na TVI24, esta segunda-feira: “É uma doença reumática de causa desconhecida, pouco frequente, que os reumatologistas conhecem bem”, mas que no hospital onde este reumatologista dá consulta apenas foram diagnosticados dez casos em cinco anos”, por exemplo.
Estima-se que em Portugal a doença afete cerca de três mil pessoas.
 
A esclerodermia pode surgir em qualquer idade, mas grupo etário entre os 25 e os 55 anos é o mais afetado. As mulheres são cerca de três a quatro vezes mais atingidas que os homens.
 
A esclerodermia não é contagiosa nem hereditária.
 

“É uma doença com expressão a nível de vários órgãos e, logo no início, pelo infiltrar na pele, pelo colagénio”. A pele “vai perdendo a normal elasticidade”, com “algumas dificuldades na mobilidade”, explicou o médico, acrescentando que “também se pode manifestar pela súbita palidez de algumas extremidades dos dedos que depois passa a roxo e depois a vermelho e o doente começa a sentir uma espécie de formigueiro, uma espécie de entorpecimento, até de comichão”, que “pode ser desencadeada pelo frio, pode ser desencadeada pelo stress”.


“Tem várias expressões e formas de apresentação”

 
António Vilar referiu que a esclerodermia “tem várias expressões e formas de apresentação”, não sendo exclusiva de um só órgão. “Como o colagénio existe na maior parte dos órgãos, pode haver fibrose do rim, pode haver fibrose do pulmão – que é causa frequente de fatalidade. Pode ocorrer fibrose no esófago, que têm dificuldade em engolir e têm refluxo. Pode também existir “no intestino”, no “estômago”.
 
No fundo, “o processo caminha lentamente e ao longo dos tempos para a fibrose e a retração dos tecidos e dos dedos”, esclareceu. “Isto pode acontecer a nível da pele – que deixa lesões do tipo de grande cicatriz - ou de vários órgãos”. Por exemplo, “muitas das vezes a esclerodermia é acompanhada de hipertensão pulmonar”, disse António Vilar.
 

A importância do diagnóstico

 
A esclerodermia pode evoluir para uma fibrose. Ou seja, “ a fibrose é um mecanismo comum e é o final do estado de evolução desta doença”, como denotou o clínico..
Por isso, agir com tempo é crucial. “Muito importante é “suspeitar do diagnóstico e ver os órgãos atingidos”, segundo António Vilar.