José Sócrates defendeu, numa nova entrevista ao Diário de Notícias e à TSF, que o Partido Socialista “nunca” lhe faltou e que sempre teve solidariedade dos socialistas. O ex-primeiro-ministro voltou a sustentar que é um preso político e considerou ainda que a “verdadeira intenção” da sua prisão é impedir que o PS ganhe as eleições.
 

“Mas não iludamos a questão crítica neste processo. Lamento muito dizê-lo, mas, pelas abundantes razões que expus ao longo desta entrevista, tenho a legítima suspeita de que a verdadeira intenção da minha detenção abusiva e da minha prisão sem fundamento não foi perseguir crime nenhum mas tão só impedir o PS de ganhar as próximas eleições legislativas”, disse.

 
Sócrates recusa acusar a direção do PS, nomeadamente, António Costa por falta de apoio, defendendo que teve “ao longo de todos estes meses” a solidariedade “sem falhas de todo o PS, dos seus militantes e dos seus dirigentes”.
 

“Nunca o PS me faltou, e muito menos me faltou agora. Quanto ao resto, eu sei defender-me”, disse Sócrates que garantiu ainda prejudicar o PS em tempo de campanha. “Não esperem de mim, em período pré-eleitoral, qualquer palavra que possa prejudicar a liderança do PS. Até porque me ficaria mal”.

 
Na longa entrevista, José Sócrates responde ainda às acusações de corrupção para acto ilícito, que foram citadas pela primeira vez, no último comunicado da Procuradoria-Geral da República.
 

“Rejeito, indignado, essas acusações. Nunca, em nenhuma circunstância, intervim ou recebi contrapartidas com o intuito de favorecer quem quer que fosse em concursos públicos”, disse.

 
Por fim, Sócrates é questionado sobre o fim da sua carreira política, mas o ex-primeiro-ministro não deixa espaço para dúvidas.

“Oh, pelo contrário. Isto ainda agora começou.”