A Câmara de Leiria repudiou o encerramento da maioria das escolas do 1.º ciclo preconizado pelo Ministério da Educação, desafiando-o a reconsiderar o fecho de sete dos dez estabelecimentos de ensino.

«A lista de encerramentos não se encontra ainda homologada, mas em cima da mesa está o fecho de dez escolas no concelho de Leiria. Três destas escolas [Raposeira, Memória e Caldelas] têm entre dois e seis alunos, pelo que a autarquia compreende o seu encerramento desde que estejam salvaguardadas questões essenciais como o transporte e alimentação dos alunos, a garantia de uma escola a tempo inteiro, assim como a capacidade das futuras escolas de acolhimento», refere a vereadora com o pelouro da Educação do município, Anabela Graça, citada numa nota de imprensa.

Na mesma nota, a autarca refere que o município «já apresentou justificações por escrito para manter abertas as outras sete escolas, algumas com 18, 19 e 20 alunos». Essas escolas são Vale do Horto, Várzea, Loureira, Lavegadas, Várzeas, Moinhos de Carvide e Sismaria.

O município, liderado por Raul Castro, eleito pelo PS, apela ainda à tutela para que no decurso do reordenamento escolar «não esqueça a importância de políticas que combatam a desertificação das zonas rurais, salientando o contributo negativo que o encerramento de escolas produz em alguns territórios».

Para a vereadora da educação, além das políticas de combate à desertificação, «qualquer reordenamento escolar sério não pode ser conduzido somente em função de critérios quantitativos, sendo também desejável que fique assegurada a conclusão, por parte dos alunos, do respetivo ciclo de escolaridade nessas mesmas escolas».

Anabela Graça assume a vontade da câmara em «não ceder» nesta matéria, garantindo que a autarquia dará prioridade «à defesa das populações, à coesão do território, bem como a princípios essenciais que respeitam à educação dos alunos que frequentam aquele que é 1.º ciclo de escolaridade obrigatória».

Esperançada de que «as duas reuniões que foram efetuadas não sejam apenas simulações de diálogo», a vereadora sustentou que se o ministério de Nuno Crato «mantiver a ideia de fechar as dez escolas, ter-se-á que voltar a ouvir encarregados de educação e agrupamentos», reiterando que a câmara irá ¿tomar posições adequadas ao interesse¿ dos munícipes.

No sábado, o Ministério da Educação e Ciência anunciou que vai fechar 311 escolas do 1.º ciclo do ensino básico e integrá-las em centros escolares ou outros estabelecimentos de ensino, no âmbito do processo de reorganização da rede escolar.