Pelo menos um terço dos portugueses nascidos fora da União Europeia que emigraram para o Reino Unido, no primeiro trimestre, são oriundos de Goa, revela um estudo do Observatório de Migração da Universidade de Oxford.
 

Numa análise às tendências de migração, o documento indica que “o único grupo com mais de 10.000 pessoas que tem em comum a cidadania de uma nação da União Europeia (UE) e um país de nascimento fora do bloco é o dos cidadãos portugueses nascidos na Índia”.


Os nascidos em Goa, Damão e Diu até 1961, data da ocupação pela União Indiana, têm nacionalidade portuguesa, a qual pode ser requerida pelos seus descendentes até à terceira geração.

Dados facultados à agência Lusa pelo embaixador de Portugal na Índia, Jorge Roza de Oliveira, apontam que, anualmente, em média, obtêm nacionalidade portuguesa, mil descendentes de cidadãos naturais de Goa, Damão e Diu.

De facto, segundo o estudo publicado em meados de julho, Portugal encabeça o ‘ranking’ em termos da nacionalidade dos imigrantes do Reino Unido nascidos fora da União Europeia: foram 54.000 num universo de 264.000 nos primeiros três meses do ano.

O exponencial crescimento do número de cidadãos da UE nascidos fora do bloco a viver no Reino Unido figura, aliás, como uma das principais conclusões a retirar da análise referida às tendências de migração, uma vez que aumentou de menos de 80.000 em 2004 para 264.000 pessoas.

Estes números vão ao encontro da perceção – tanto oficial como da sociedade civil – de que a maior parte dos pedidos de nacionalidade portuguesa efetuados por descendentes de antigos territórios portugueses na Índia têm como principal motivo a emigração, e por razões económicas, para a Europa, e, em particular, para o Reino Unido.
 

“São fundamentalmente razões de emigração”, atesta o cônsul-geral de Portugal em Goa, Rui Carvalho Baceira, à agência Lusa, referindo-se aos pedidos de nacionalidade portuguesa que passam pela sua jurisdição.
 

Aliás, esse é um dos motivos pelos quais a comunidade portuguesa de Goa é “muito flutuante”. “Há pessoas que adquirem a nacionalidade portuguesa e não permanecem no território. Vão depois para outros países, para a Europa, concretamente Reino Unido”.


De bilhete para o espaço Schengen, a propinas mais baratas em universidades europeias até a ordenados superiores no Golfo Pérsico, o passaporte português continua a figurar, para muitos, como um sinónimo de garantia para uma vida melhor.