Familiares do português Adelino Mendes, que participou na Revolução Cubana, saudaram o restabelecimento de relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos da América e pediram o fim do embargo à ilha caribenha.

«Para melhorar as relações, vai ser necessário que os Estados Unidos nos retirem de lista dos países promotores do terrorismo», declarou à agência Lusa, a partir de Havana, Ismael Mendes Boulet, filho do marinheiro Adelino Mendes, oriundo da Lousã, distrito de Coimbra.

Falecido em Cuba, em 1975, o antifascista exilou-se naquele país em 1941, após ter integrado em Lisboa a Revolta dos Marinheiros, em 1936, tendo sido agraciado por Fidel Castro, a título póstumo, com a Medalha de Combatente da Luta Clandestina.

«As relações diplomáticas são só o começo, o caminho é longo. Um primeiro problema a resolver é o bloqueio económico, financeiro e comercial, que prejudicou não apenas o nosso país, mas muitos outros países», disse Ismael Mendes.

Segundo este antigo oficial da Força Aérea Cubana, o povo recebeu «com grande alegria e felicidade as notícias» de quarta-feira, «tanto a chegada dos três heróis» cubanos, «injustamente presos» nos Estados Unidos, «como o reatamento das relações diplomáticas», esperando que esta medida «abra novas oportunidades» para os dois países

«Uma grande notícia para todos os que se sentem cubanos, dentro ou fora de Cuba», afirmou à Lusa o economista Liber Mendes Corzo, filho de Ismael, mostrando-se «muito feliz e emocionado».

O embargo norte-americano «dura há mais de 53 anos e causou tanta dor, sofrimento e carências aos cubanos», lamentou o ex-docente da Universidade de Havana, atualmente a viver em Barcelona, Espanha, que chegou a residir na Lousã após obter a cidadania portuguesa.

Na sua opinião, «só o facto de os presidentes» Barack Obama e Raul Castro «se terem pronunciado pelo restabelecimento das relações diplomáticas já é um grande passo» na pacificação dos dois vizinhos.

«Nasci com a revolução e, portanto, nasci com o bloqueio a Cuba. Penso em todas as carências que passámos durante anos e nas famílias separadas por esta situação», adiantou Liber Mendes.

Em conflito há mais de meio século, Estados Unidos e Cuba iniciaram uma aproximação histórica, com a libertação simultânea do norte-americano Alan Gross, detido há cinco anos em Havana, e dos últimos três membros do grupo que ficou conhecido como «Cinco de Cuba», Gerardo Hernández, Ramón Labanino e Antonio Guerrero, condenados por alegada espionagem em território norte-americano.

Após mais de meio século de uma beligerância que sobreviveu ao fim da Guerra Fria, os dois países dão agora os primeiros passos para a normalização das relações entre si.

Na quarta-feira, Barack Obama anunciou «um novo capítulo» nas relações com Cuba. «Somos todos americanos», afirmou.

Em simultâneo, Raul Castro confirmou o restabelecimento das relações diplomáticas, mas disse que a questão do embargo ainda não está resolvida.