O processo eleitoral a decorrer para a direção do Automóvel Club de Portugal (ACP) foi impugnado esta segunda-feira e alvo de uma queixa-crime no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa, por parte de uma das listas a concurso. Em causa, estarão irregularidades nos boletins de voto que a atual direção reconheceu existirem, mas que terão sido sanadas.

A lista A, liderada por António Raposo Magalhães, é a autora da impugnação e da queixa-crime, argumentando que a revista mensal da associação incluía no último número, como em eleições anteriores, um invólucro com os respetivos boletins de voto associados a cada lista concorrente. E acrescenta que foram detetados «em muitos casos» apenas boletins de voto afetos a uma só lista, lê-se num comunicado que é citado pela Lusa.

Lamenta, por isso, a «falta de rigor e profissionalismo» que deu origem à situação e fala de factos «muitíssimos graves» que determinam «de forma irreversível e imediata a anulação ou declaração de nulidade de todos os atos praticados até ao momento no procedimento eleitoral».

As eleições estão marcadas para 30 de abril. Estão a concurso duas listas, a A e a B, de Carlos Barbosa, que lidera o ACP há mais de uma década.

Carlos Barbosa explicou à Lusa que o processo de inserir os envelopes na revista é feito por uma empresa externa e que os casos que tinham sido identificados tinham sido resolvidos. Terão sido, disse, um envelope com dois boletins da lista A, um com dois da lista B e um sem envelope.

«Falámos com os sócios e enviámos novos por correio expresso», disse, acrescentando que «em todas as eleições há casos destes».

Na página da internet do ACP um comunicado explica que a inserção dos vários elementos que compõem o pacote eleitoral é mecânica, porque só assim é possível enviar 192.033 pacotes, e que chegou ao conhecimento da Comissão Eleitoral quatro casos de receção de boletins de voto em duplicado, quer da lista A quer da lista B.

A lista A justifica a queixa no DIAP por considerar, diz também o comunicado, que os factos «têm a potencialidade de possuírem origem ou natureza criminosa, nomeadamente de fraude eleitoral».

Também à Lusa o candidato da lista A disse que teve conhecimento das irregularidades no sábado e que 24 horas depois o ACP ainda não lhe tinha dado conhecimento, frisando que o problema «não se resolve à porta fechada e ocultando as notícias».

António Raposo Magalhães, diz-se ainda na nota, quer ter acesso a todos os atos relacionados com o processo eleitoral, sejam ou não praticados nas instalações do ACP e por funcionários da associação ou de outras entidades.